“Eu nunca pensei que ia morrer”, afirma Ilva Niño que estará na nova Malhação, após vencer câncer

Ilva Niño
Ilva Niño

A veterana atriz Ilva Niño está de volta às novelas após 3 anos de seu último trabalho, em Saramandaia. Agora, aos 82 anos e após vencer a luta contra o câncer, ela estará na nova temporada de Malhação.

Na trama jovem, Ilva Niño será a avó da protagonista Joana (Aline Dias). Em entrevista, a atriz conta uma pouco sobre sua personagem. “Eu faço a avó da protagonista. A trama começa lá no Ceará. Por causa de uma discursão, Joana (a neta) vem para o Rio de Janeiro. Depois disso, não sei o que vai acontecer.”

Depois de enfrentar dois cânceres, a atriz se diz totalmente recuperada e pronta para dar sequência aos mais de 60 anos de carreira. “Eu tive dois cânceres. Foi muito pesado. Foi no intestino. Eu tirei um, depois eu tirei o outro. Fiquei onze meses me tratando. Eu nunca pensei em desistir. Eu pensei exatamente que o trabalho revigora. Eu nunca pensei que ia morrer. Muita gente achava que eu não ia voltar. Mas, eu sempre achei que ia voltar. Quando eu estava na maca para operar, eu falava: ‘eu vou voltar, hein, gente!’. E, voltei! Estou voltando com chave de ouro. Só tenho feito coisa pra cima”, celebra a atriz.


Confira na íntegra a entrevista com Ilva Niño:

Como surgiu o convite para participar dessa nova temporada de Malhação?

“Você sabe que eu nem sei de momento como me chamaram. Eu fiquei adoentada e me afastei da televisão e de tudo. Agora, voltei ao teatro. Fiz uma participação em Mister Brau, rodei o filme Minha Mãe é uma Peça 2, que estreia no final do ano. Eu estou voltando aos poucos. Ai, me chamaram para fazer essa participação, que me deixou muito contente. Depois que eu gravei a primeira cena, eu fiquei mais feliz ainda. O clima é muito bom, o elenco é competentíssimo. Eu gosto muito de trabalhar com jovens, porque eles tem uma carga tão positiva, tão boa. Eu não sei porque me chamaram. Mas, acho que porque a trama começa no Ceará. E eu sou nordestina. A gente fica meio que fechada em um ambiente. Tudo é Brasil!”

Pode falar um pouco da Damiana?

“Eu faço a avó da protagonista. A trama começa lá no Ceará. Por causa de uma discursão, Joana (a neta) vem para o Rio de Janeiro. Depois disso, não sei o que vai acontecer.”

A senhora fez uma participação em Mister Brau. A Taís Araújo fez uma homenagem pra você no Facebook. Como você recebe esse carinho?

“É mesmo?! Eu não vi! Ela é incrível! Agora, vai voltar ‘Cheias de Charme’, onde eu tive o prazer de contracenar com ela. Essa reprise vai ser um sucesso. Taís é muito talentosa.”

Como é ser adorada por essa nova geração?

“Olha, é tão bom. É tão positivo. Eu acho que a pessoa tem que ser adorada por todo mundo. Tem que estar bem com todo mundo. Fico lisonjeada com esse carinho.”

A imagem da senhora é muito marcante. Como é fazer parte de várias gerações? Por causa de sua doença, você ficou longe da telinha. As pessoas cobravam a sua volta?

“Olha, eu fiz 82 anos. Eu alcancei muitas gerações. As pessoas ainda me cobram muito a minha volta. Tem gente que fala: ‘você devia estar em Velho Chico, porque essa novela é a sua cara. Qualquer personagem lá é a sua cara. Na época da escalação da novela, estava me recuperando. Agora, eu estou ótima.”

Como é contracenar com o adolescente que chega com todo o frescor de aprender?

“Isso me alimenta muito. Eu busco energia deles para mim. Essa menina (Aline Dias) que vai fazer a protagonista, é de um carinho, parece a minha neta mesmo. Eles transferem para mim, uma generosidade muito grande. Um amor sem igual. Fico muito feliz!”

Como à senhora vê as reapresentações das antigas novelas pelo canal Viva?

“Eu acho importantíssimo! É bacana apresentar essas tramas para a nova geração. Roque Santeiro, por exemplo. Tem gente que até hoje grita pra mim: ‘Minaaaaaaaaa!’. Eu fui para a Itália, e as pessoas gritavam Mina. É um personagem que não acaba. Vive para sempre. Roque Santeiro era uma novela engraçada, livre. Com um elenco fantástico. Foi um folhetim aberto. Essa novela marcou muito.”

Com mais de 60 anos de carreira, qual o balanço que a senhora faz dessa trajetória de sucesso?

“O balanço que eu faço é o seguinte: ‘a gente precisa buscar sempre conhecimentos. Se reciclar sempre. E, transformar tudo’. Tenho muito orgulho de minha trajetória. Eu comecei com o Ariano Suassuna (dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro). Eu fiz ‘O auto da Compadecida’. Eu criei o papel da mulher do padeiro(fala toda orgulhosa). Fez agora, 56 anos do ‘Auto da Compadecida’. Meu primeiro trabalho com ele foi no ‘Auto da Compadecida’. Fiz todas as peças dele. Ele foi o meu professor de história do teatro. Fiz muita coisa importante com ele. É isso.”

Roque Santeiro foi uma novela muito censurada na era da Ditadura. Como à senhora vê o avanço na dramaturgia, que tem abordado temas bem polêmicos. No último mês, tivemos a primeira cena de sexo entre dois homens em Liberdade, Liberdade. Como à senhora avalia isso?

“Eu tive muita censura. Eu acho que ninguém tem que deixar de fazer alguma coisa que é importante para a trama. As pessoas que assistem tem que ter uma visão diferente. A vida é uma arte aberta. E temos que experimentar onde vai ter tolerância. Eu acho que o mundo está muito intolerante. Em tudo! Essa intolerância traz uma insatisfação, uma tristeza tão grande. Eu vejo tanta gente criticando a Olimpíada. Gente, pelo amor de Deus! Não pode jogar uma carga tão negativa, num evento tão fantástico. Tem muita gente contra por nada. (…) Você tem que aceitar isso como uma mudança.”

Nada de se aposentar, né?

“Não! O médico me liberou para trabalhar. Agora estou recomeçando tudo. Estou com a vida recomeçada.”

Pode falar um pouco desse problema de saúde?

“Eu tive dois cânceres. Foi muito pesado. Foi no intestino. Eu tirei um, depois eu tirei o outro. Fiquei onze meses me tratando. Eu nunca pensei em desistir. Eu pensei exatamente que o trabalho revigora. Eu nunca pensei que ia morrer. Muita gente achava que eu não ia voltar. Mas, eu sempre achei que ia voltar. Quando eu estava na maca para operar, eu falava: ‘eu vou voltar, hein, gente!’. E, voltei! Estou voltando com chave de ouro. Só tenho feito coisa pra cima.”

Novela é um projeto longo. Você tem vontade de atuar em um folhetim?

“Estou pronta para participar de uma novela inteira. Estou no musical ‘Cabaré da Humanidade’ no Teatro Nina de Artes Luiz Mendonça (nome em sua homenagem), na Lapa, no Centro do Rio. Na peça, eu estou cantando, dançando. Estou muito feliz.”

Qual a dica ou incentivo que a senhora dá para as pessoas que estão lutando contra essa doença..

“Doença é uma coisa que você tem que batalhar contra ela. Eu nunca me entreguei. Tem muita gente que se entrega também. Uma pena…”

André RomanoENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO