“A gente vai fazer um programa inédito e especial para cada convidado”, conta Marcelo Adnet sobre o Adnigth

Marcelo Adnet
Marcelo Adnet no Adnight (Divulgação/ TV Globo)

Marcelo Adnet estreia seu novo programa na Globo em 25 de agosto e promete fazer uma atração diferente dos demais late shows exibidos na televisão brasileira.

O Adnigth vai receber um convidado especial a cada semana, sempre às quintas-feiras, antes do Jornal da Globo e o primeiro participante será o narrador Galvão Bueno.

Em entrevista, Marcelo Adnet revelou detalhes do programa, que vai misturar de tudo um pouco e será a cara do apresentador.


“A gente fez o seguinte: não temos uma referência master. Isso não aconteceu. O que aconteceu, é claro, foi que a gente olhou para o mundo, para o cenário, o que está acontecendo nos late shows. Mas, o que a gente faz como processo e o que define o programa é o seguinte: a gente vai fazer um programa inédito e especial para cada convidado”, conta Adnet.

Sobre a informação de que ele substituiria Jô Soares nas noites da Globo, ele garante que nunca foi cogitado isso e não sabe dizer de onde tiraram essa notícia.

“A história do Jô foi ventilada e eu não sei quem ligou esse ventilador. Não fui eu! Nunca me pediram para substituir o Jô e nunca foi a minha intenção ter um programa de entrevistas diário. Eu, sinceramente, jamais aguentaria, não tenho saúde para isso. Para levantar um programa desses é muito difícil. Não aguentaria fazer um diário. Essa história do Jô nunca aconteceu”, afirma o humorista.

Confira na íntegra a entrevista com Marcelo Adnet:

Sonho realizado pelas mãos dos amigos

“Eu pedi a eles que todos fossem felizes. Eu acho que isso é o principal. Quando fizemos testes com o pessoal da trupe, que são dançarinos, acrobatas, especialidades diferentes, e até o pessoal da banda, eu tenho a noção de que estou com artistas que estão trabalhando duro em seus meios, fazendo o que amam, e eu estou trazendo eles para um programa de televisão, que é uma realidade diferente. Então, a última coisa que eu quero é que eles se sintam afastados da arte deles, do que eles amam fazer. Então, o que eu pedi para todo mundo foi para eles serem felizes. Todos! Todo mundo nessa equipe é muito amigo e muito sensível também. Quando um não está cem por cento, a gente já nota. E eu acho que quando todo mundo está feliz, tudo funciona bem.”

Participação de Galvão Bueno no primeiro programa

“Uma coisa que me deixou feliz na primeira gravação é que o Galvão (Bueno) estava muito feliz. Rindo pra cacete, se soltando, e isso é muito importante. Quando está todo mundo feliz, vibrando em uma energia positiva, fazendo o que gosta e se sentindo a vontade naquele ambiente, isso é uma grande vitória. E eu fico feliz e satisfeito de estar sendo um bom anfitrião para todo mundo. Isso vai desde a equipe até os convidados. É a mesma coisa. A gente quer que convidados e equipe estejam bem.”

Baseado em outros formatos

“A gente fez o seguinte: não temos uma referência master. Isso não aconteceu. O que aconteceu, é claro, foi que a gente olhou para o mundo, para o cenário, o que está acontecendo nos late shows. Mas, o que a gente faz como processo e o que define o programa é o seguinte: a gente vai fazer um programa inédito e especial para cada convidado. Primeiro, rola uma pesquisa em cima dele. Quem é esse cara? O que tem por trás dele. Por exemplo, o Galvão Bueno, ele é um narrador de sucesso, que a gente conhece mas também é dono de vinícolas. Ele tem duas na Itália e uma no Sul do Brasil. Ele já foi corredor, já foi atleta de handebol, adora a Argentina, adora dançar tango. Então, você vai descobrindo coisas sobre esse convidado e montamos um programa inteirinho para ele. A gente não reaproveita cenários ou quadros. É tudo sempre muito inédito. A gente pensa no convidado e no que pode armar para ele. Eu acho que o Bipolar, do Michel – que eu adoro e adorei participar – tem uma coisa ali que é a cara dele. Ele é poeta, é louco, é sedutor, é sexual, é tudo aquilo, é maluco naquela medida. Então, ele faz do programa a cara dele. Eu acho que o Danilo Gentili fez isso no The Noite, um programa com a cara dele. Acho que o Jô é um cara que já se confunde com o programa, que fez um programa também a cara dele. E eu vou construir uma coisa que é mais próxima de mim. Eu vou construir uma mistura de vários elementos que eu trago comigo: a música é um elemento muito forte, o humor é outro, as críticas e a desconstrução também. Essa atitude, que eu acho que o Tá no Ar teve, de flexibilizar tabus imaginários. Essa identidade continua no Adnight. Estou fazendo um programa que tem a ver comigo. O Porchat vai fazer um programa que tem a ver com ele. Esse é o gol de cada late show, conseguir fazer um programa onde o apresentador consiga comandar essa casa e esse circo todo. Então, tem muitas diferenças de tudo o que já rolou. Os late shows são assim, tem que ter a cara do apresentador. E ali você é único. Cada um tem as suas características e são inimitáveis. Eu não conseguiria imitar um outro programa. Não ia ser legal, ia ser uma forcação de barra. Então, a gente faz um programa que tem a ver comigo, onde eu possa falar as coisas em primeira pessoa sem ser falso.”

Adnet como nunca se viu

“Sei lá! Eu acho que rola uma relação em primeira pessoa. NO momento em que eu falo com a câmera e recebo o público no meu programa, isso já é um lugar novo. Embora, eu já tenha feito o Adnet ao vivo na MTV, é muito diferente: o clima e o tamanho são muito diferentes. Eu acho que vocês vão me ver em primeira pessoa, o que é uma novidade na Globo. No Tá no Ar são vários personagens em esquetes e a primeira pessoa não é utilizada. E dessa vez, sou eu mesmo. E vocês vão me ver interagindo com grandes personalidades brasileiras. O que eu acho que cantar, dançar, improvisar, fazer piada, vocês já viram. Mas, neste lugar, comandando um programa que é solo. Mas, essa relação em primeira pessoa com o convidado durante todo o programa, que dura 45 minutos, já é uma novidade.”

Lisonjeado com participações especiais

“Sim, muito! É um desafio muito grande e muito legal. Por exemplo, fizemos um programa com o Galvão Bueno. Aí, a redação tem ideias completamente absurdas e malucas. E a gente reage de uma forma como era na época do Tá no Ar. Consegui fazer com que eles fizessem coisas que ninguém imaginaria, nem eu mesmo. E o golaço, para mim, foi ver esses entrevistados felizes.”

Programa exibido em outras plataformas

“Pensamos em pessoas que todo mundo conhece, mas que puderam mostrar o seu lado B, pessoas que se permitiram brincar. Esse foi o critério.”

Pessoas de outras emissoras

“Com certeza! Continuo com a opinião de que talento não tem emissora. Um hábito da televisão que muito me incomoda é o de só reconhecer talentos de outras emissoras na morte. Um dos momentos mais especiais do Tá no Ar foi a participação do Carlos Alberto de Nóbrega. A gente teve a sorte de fazer esquete com o Miele, pouco antes dele morrer. Sempre estamos buscando isso. E, no Adnight, não será diferente. Mas, a Globo super nos apoia e entende que esse é um movimento que nos ajuda, é um movimento generoso até, quando a gente olha para fora do nosso próprio universo para buscar talentos e participações.”

Substituto do Jô

“A história do Jô foi ventilada e eu não sei quem ligou esse ventilador. Não fui eu! Nunca me pediram para substituir o Jô e nunca foi a minha intenção ter um programa de entrevistas diário. Eu, sinceramente, jamais aguentaria, não tenho saúde para isso. Para levantar um programa desses é muito difícil. Não aguentaria fazer um diário. Essa história do Jô nunca aconteceu.”

Concorrência com Porchat que é amigo – ele estreia na Record um dia antes

“Torço muito por ele, de verdade. Sou amigo dele, gosto dele, acho ele engraçadíssimo e acho que ele merece esse espaço. Fico feliz por ele. Acho muito legal que todos nós tenhamos essa torcida um pelo outro. O sucesso dele não é meu insucesso. Torço para ele, assim como para o Danilo, porque eu acho que, de certa forma, se eles estão subindo, eu também estou. Afinal, estaremos no ar ao mesmo tempo. Fico feliz por esse momento, porque sou amigo dos três: do Jô, do Porchat e do Danilo. Não estamos fazendo um talk show. E não vou estar focado em entrevistas tradicionais, essa coisa de ficar sentado no sofá, entrevistando as pessoas. Não é o meu ponto forte. E a gente não queria fazer um programa muito sentado. As entrevistas acontecem dentro das dinâmicas.”

Predominância masculina no programa

“É uma inspiração dos ministérios do Michel Temer (risos). É engraçado isso. Ainda há uma prevalência masculina em vários lugares. Mas temos preocupação em ter mais mulheres sim. Todas as pessoas da produção são mulheres.”

Dani vai participar?

“Ela pode sim participar. O programa está aberto, sempre em construção. Até o último momento, ele pode mudar, por causa das agendas dos convidados. O programa fica vivo até a hora de entrar no ar.”

Adnight será exibido pela Globo Internacional

“Olha que boa notícia! A gente realmente estava focado no público de Angola (risos), é bom lembrar. Mas, eu acho que essas praças (Portugal, Angola e algumas outras) estão acostumadas a assistir a Globo Internacional, às novelas. Então, quando você escolhe, por exemplo, o Mateus Solano de convidado, eu acho que o público de Angola e Portugal sabe quem ele é. Tem coisa que a gente viu de Angola, o Pepino. Angola acha que não, mas nós estamos olhando para eles, sabemos alguma coisa de humor angolano. Por isso, esse público também faz parte do nosso espectro. Vai da criança ao adolescente, até o mais velho. Porque todo mundo sabe quem é o Galvão, todo mundo sabe quem é o Mateus e todo mundo quer vê-los de uma forma diferente. E acho também que o pessoal de Angola e Portugal vai ter essa ideia de desconstrução que a gente quer passar, de uma forma divertida e fora daquilo que estamos acostumados a ver. Então, mesmo sem saber, estávamos preparadíssimos para atender a esse público internacional. O público do Leste Europeu, da Estônia, é que vai ficar mais complicado. Mas lá quem assiste é a comunidade brasileira. É um programa bem acessível. Ele não precisa estar falando para um nicho específico. É para todo mundo.”

Público direcionado

“Não sei classificar o publico desse horário. Mas, o que eu posso fazer, para tentar atingir a todos é um trabalho de qualidade. Fazer um bom programa, um programa generoso, que seja rico para todo mundo. Mas, a gente tem uma visão de que é um programa para todas idades e para todas as classes também. Ele não pede muita coisa para você. Só que você saiba quem é o convidado. São informações que todo mundo tem. Não é um programa que te exige muito. Ele é fácil, cai tranquilo. É um programa para todos os públicos e todo o público é bem vindo. A nossa preocupação é fazer um trabalho de qualidade. As questões de audiência e repercussão vêm em um segundo momento. Então, trabalhamos bem tranquilos, para fazer um bom programa. Isso vai ser uma consequência.”

Um programa com a cara de Adnet

“É um programa que eu sempre quis fazer porque, no primeiro momento, quando ele começou no papel branco, ele não era nada. Eu não sabia nem o que era aquilo, o que iria acontecer. Eu não sabia nada. Quando o programa começou a ser levantado e as pessoas começaram a chegar, vi que estava cercado de talentos, que eu adoro. Parece que esses talentos que eu adoro também gostam de mim. Temos uma sintonia ótima e, quando tudo começa a levantar e as nossas ideias, que parecem absurdas e fora da casinha, começam a virar realidade, você vê que tem uma equipe construindo a sua ideia idiota, é muito bom. É isso que me faz pensar que esse é o programa que eu sempre quis fazer. Tá todo mundo feliz, vibrando muito, todo mundo buscando – ou fingem que estão (risos). Isso faz com que esse seja o programa dos meus sonhos.”

Aumento dos late shows na TV brasileira

“Só me faz pensar que estamos na época das individualidades. Estamos interessados, não em modelos mais, mas que as pessoas sejam fieis à sua individualidade, que sejam o que elas são. Você pode ter o cabelo verde, um piercing no nariz, ter um gosto musical estranho – gostar de punk rock, mas eu quero que você seja isso. Você pode ser caretésimo, de mocassim, mas seja isso. Então, quando vivemos uma época de individualidades e nos interessamos pelo que cada indivíduo tem a dizer, e acho que a Globo percebe isso e me dá a oportunidade de ser um indivíduo. Não é aquela história de ‘venha ser um global’. É ‘venha ser você!’. Estou te abrindo um espaço, te dando uma produção incrível. Seja você mesmo! Um talk show é meio que a apoteose dessa individualidade. “Vamos ver quem é esse cara, conhecê-lo melhor”. Eu não estou interessado no personagem, no exemplo, naquela figura construída. Mas, em quem você é, no que você tem a dizer. Então, é legal ver o Danilo falar, ver o Jô falar, ver o Porchat, me ver. Nós somos pessoas diferentes. Então, eu acho que mora muito nisso aí. Por que as pessoas consomem Youtubers e bloggers? Porque eles estão de dentro de casa, falando sobre o que eles querem, com a roupa deles. Eles estão fazendo uma coisa muito pessoal. Ele é ele mesmo. As pessoas agora querem saber mais do individuo e do que ele tem a dizer e menos de onde ele está.”

Performances de Adnet

“O figurino foi uma busca. Algo que tivesse o tom do programa. Como ele tem um tom de ousadia, de desconstrução, tudo precisava estar na mesma companhia. Existe uma variação e uma mínim descontração. Eu não tenho o compromisso de ser uma debutante, estar sempre muito bem vestido. É isso!”

Palavrão liberado

“Cara, a gente está á vontade. O palavrão não é uma necessidade, mas ele acontece e se rolar, não tem problema. Estamos mais à vontade por causa do horário sim, mais soltos, bem soltinho mesmo. Estou tranquilo, sem essa preocupação de isso ou aquilo não pode fazer. Não tem aquela coisa de “poxa, gostaria de correr pelado pelo palco, mas o horário não permite”. Estamos bem à vontade. Acho que é até um horário que dá para brincar bastante. Não precisa colocar um piiii em um palavrão. Um palavrão bem colocado não tem importância. Mas, não tem aquela coisa de ficar de cueca, porque estamos à 23h30.”

Continuando no Tá no Ar

“O ônus é todo meu. Vou comer andando, no camarim, trocando de roupa…vai rolar aquelas mensagens de ‘onde você está’. Não vai ser fácil, e ainda tem a Escolinha, que pode rolar. É sempre um desafio de conciliação e eu conto com os meus colegas que vão me proteger. Mas, eu acho que dá para conciliar sim. Estamos nos estudios Globo. Pode rolar uma pausa, por exemplo, no Tá no Ar e eu vou encontrar o meu pessoal do Adnnight, para criar. Então, vamos levar, vamos conciliar as duas coisas. Os dois programas não se encontram no ar. O Adnight vai estar no ar de agosto a dezembro e o Tá no Ar, em janeiro.”

Um homem de sorte

“Eu acho que tenho a sorte de acordar cedo, ir para Curicica, andar 40km para casa, uma hora e meia de trânsito. Isso é muita sorte. É claro que eu tenho sorte de estar vivo, de estar aqui, de estar com saúde, no lugar certo, na hora certa. tenho muitas sortes envolvidas. Mas, não adianta nada ter sorte e não trabalhar. Envolve muito suor. Assistindo a televisão, a gente acha que tudo nasce ali ou que já estava lá. Mas, tudo tem uma baita construção.”

André RomanoENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO