Diretor de Os Dez Mandamentos comenta sucesso da novela e a cena do Mar Vermelho

Alexandre Avancini Os Dez Mandamentos

Alexandre Avancini, diretor de Os Dez Mandamentos entra para a história com mais um sucesso da teledramaturgia nacional. Em um dos trabalhos mais primorosos do diretor, ele conta em entrevista ao jornal Diário de Pernambuco, como foi dirigir Os Dez Mandamentos e gravar a cena do Mar Vermelho.

A sequência foi gravada em 31 dias. Assim como a cena da sétima praga, os efeitos especiais foram criados na Stargate Studios, responsável por seriados norte-americanos como Revenge, The walking dead e CSI.

Como está essa rotina de gravação na fase final?
A gente está gravando bacana. A novela tem uma dinâmica. A novela é atípica. A parte mais complexa de fazer é o final, com a parte das pragas e uma série de grandes eventos. Tem o êxodo, tem o Mar Vermelho. Tem coisas muito complexas. O elenco está animado com esse produto vitorioso. A gente fica muito feliz em fazer.


Qual balanço que você fez da novela?
Então… é um projeto ousado. Primeira novela bíblica do mundo que se tornou uma coqueluche nacional. São números expressivos. O investimento com capricho, cenografia, direção, texto, figurino. A gente está muito feliz com a sensação de ter contado bem essa história.

O que pode antecipar da cena do Mar Vermelho? Como ela foi pensada?
É uma sequência muito esperada, de muita emoção. É uma cena espetacular pelos efeitos que envolvem, mas é muito também emocional. Os personagens se emocionam na sequência do Mar Vermelho, com a chegada do exército de egípcios, que tenta massacrar o povo hebreu. A gente foi atrás de referências contemporâneas, apesar da abertura ser conceitualmente perto do filme da década de 1960.

Vocês optaram por um estúdio renomado, responsável por efeitos especiais de seriados norte-americanos…
A cena do Mar Vermelho envolve água, que é o elemento mais difícil de fazer, porque envolve muito cálculo. Utilizamos efeitos especiais na sétima praga, com uma sequência de fogo. Foi a primeira vez que usamos efeitos especiais em uma novela. A gente foi na Stargate, nos Estados Unidos, por ter mais capacidade industrial que no Brasil. Tudo que envolve muito processamento de dados, lá tem centenas de máquinas. Foi mais por uma questão de aprouch industrial. A gente grava numa cidade tropical. Tem que tirar as montanhas verdes e inserir em paisagens de deserto diariamente.

Por que acredita que as novelas globais estão indo mal?
É uma mistura de coisa. O nosso projeto é de muito sucesso por ser uma grande novidade. Agradou o público. Traz mensagem para o telespectador maltratado pela realidade brasileira e também existe conexão emocional com o público. A gente conhece essa história desde criança.E tem um fundo de base dramaturgia em cima de relações humanas e familiares. São coisas que são antigas, mas contemporâneas. A novela é bem escrita. Pega isso no sentido de emocionar. Quando vai com uma dramaturgia muito de crônica, de realidade brasileira, vai ter polêmica, violência. Os dez embarca nessa viagem ao tempo. Faz um mergulho na época ancestral, quando o povo estava começando a se organizar como Estado.

Você já está trabalhando em A Terra Prometida? 
Já estou pré-produzindo. A Casablanca e a Record estão produzindo. Estamos preparando uma viagem para Marrocos, Angola, Atacama. A gente primeiro faz um scouting de locação. Em Os dez mandamentos, a gente foi para o Andes e Atacama e decidimos pelo Atacama. Ainda neste mês, o produtor de locação vai viajar, fotografia e filmar os lugares. Às vezes, uma locação é muito boa, mas não tem a estrutura ideal. É boa artisticamente. A gente precisa gravar no Deserto. O nosso deserto é tropical. Chove muito aqui. No Atacama, chove uma vez ao ano, por exemplo.

O desafio é superar a marca deixada por Os dez mandamentos?
A ideia é sempre essa. Sempre dá o melhor de si. Muitas vezes, algumas ideias dão mais certas que outra. Mas o empenho meu e o da minha equipe é esse. Acho que é uma estratégia inteligente da Record. Os dez mandamentos fidelizou um público muito grande. São só 170 capítulos. Vai ficar um gosto de quero mais. A história de A terra prometida será uma continuidade. Nada mais acertado que fazer essa mescla.