Fátima Bernardes revela: “Tenho um público infantil muito grande”

Fátima Bernardes

Fátima Bernardes  está em seu melhor momento profissional. Em uma conversa reveladora com a dona do Encontro, a jornalista contou ao Observatório da Televisão como está sendo participar das novelas da emissora e relatou que, após deixar a bancada do Jornal Nacional, seu público infantil cresceu muito. “Hoje eu tenho um público infantil muito grande. A chegada ao entretenimento e o horário do programa, me trouxeram uma galera mais nova”. conta a profissional.

Você tem feito várias participações nas novelas da emissora. Além de apresentar, você pensa em seguir a carreira de atriz?

“Eu participei de Geração Brasil, Alto Astral, Cheias de Charme, I Love Paraisópolis, Babilônia, e duas vezes em A Grande Família. Daqui a pouco estarei fazendo uma novela (risos). Se juntar tudo já da uma microssérie (risos). Não penso em ser atriz de jeito nenhum. O que eu faço é completamente diferente. Nas participações, sou eu mesma e posso participar de várias tramas assim, mas jamais interpretando uma personagem. Assim é muito mais tranquilo, mas ter um personagem é muito difícil. Eu tenho um respeito enorme por essa carreira de atriz/ator. São pessoas que precisam estudar muito. Essa carreira nunca foi a minha vocação. Ser atriz é algo que eu nunca busquei. Me divirto muito participando. Eu fico lisonjeada com esses convites, porque tenho uma chance de estar com essas pessoas que eu admiro bastante. Mas não profissionalmente. Nada que eu fizesse a sério. A gravação eu levo a sério, mas não é que eu quisesse ter um papel em uma novela realmente.”


Na participação que você fez em I Love Paraisópolis, o personagem do ator José Dumont xaveca você ao vivo. Você já passou por alguma saia justa do tipo?

 “Esse tipo de saia justa não. Mas quando a pessoa quer falar um pouco além, eu tento controlar. Como o programa é ao vivo, eu tenho muitas pessoas para entrevistar. Nunca dá para a pessoa falar tudo. Um caso de saia justa especificamente eu não irei me lembrar, mas quem trabalhar ao vivo sabe que tudo pode acontecer.”

Para você não é novidade participar de uma programação ao vivo, né?

“Não é novidade. Foram 25 anos de jornais e isso me ajudou muito. O que eu acho legal dessas participações que eu faço nas novelas, é que o programa entrou na vida das pessoas. Ou seja, o programa já está no DNA das pessoas. Exemplo: uma pessoa voltou da morte. Claro que a minha equipe procuraria essa pessoa. Os autores já identificam o que seria pauta para o meu programa. Fiquei feliz que todas as minhas participações estavam dentro das pautas que o programa trata.”

Quem assiste ao Encontro tem você como uma companhia. Como você vê esse carinho do público?

 “Acho que isso tem muito a ver do que a gente foi aprender a fazer e fazendo, de encontrar os assuntos que as pessoas precisam conversar sobre eles. Ultimamente tenho usado bastante a plateia. As pessoas se identificam. O público é mais um dos convidados e esse tipo de encontro, que eu queria desde o início, passou a acontecer de fato. Isso ajuda muito no funcionamento da atração.”

Você sempre é indicada na categoria de melhor apresentadora para grandes prêmios que acontece no país. Você pede para o público votar em você?

“Eu mesma nunca, em prêmio nenhum, pedi para alguém votar em mim. Eu fico constrangida. Nem os meus filhos nunca pedi para votarem em mim. Eu quase que guardo aquilo quietinho comigo (risos). É meio doido, mas é isso que eu faço.”

 No início do ano uma foto sua comprando chocolate em uma loja popular no Rio de Janeiro quebrou a internet. O paparazzo incomoda você?

“E daí? Eu acho isso tão engraçado, né? Eu sei que isso faz parte. A gente que trabalha com comunicação sabe que tem o ônus e o bônus. Tem o bônus que é ter o carinho das pessoas. Se você fica gripada, tem milhões de pessoas torcendo pra você ficar boa. Mas tem esse ônus, que é uma curiosidade exagerada. Eu não sei tanto que é uma curiosidade do público. Você nunca pode estar desarrumada. Você nunca pode estar brava. Você nunca pode estar nada. Você tem que sempre estar bem. Sempre com uma imagem que você corresponde a que você tem no ar. É um ônus. Eu acho que eu lido muito bem com isso. Quando eu falo que o Paparazzo me incomoda, eu me refiro às pessoas que estão comigo. Eu tenho amiga que a gente vai almoçar e ela acaba aparecendo nesses sites. É chato! A pessoa não quer ser fotografada. Eu tenho filhos! Ainda mais adolescente. O cabelo não está bom. Para eles não é muito agradável. Eu me incomodo mais com as pessoas que estão comigo do que comigo mesma. Eu tenho uma vida normal, vou às Lojas Americanas, como eu preciso entrar em uma farmácia para comprar. Outro dia saiu também uma foto, no qual eu estava com uma sacola. E, na matéria dizia, o que teria naquela bolsa. Eu fico um pouco surpresa, Por quê isso desperta um grande interesse? E, é sempre no mesmo lugar. Eu moro na Barra da Tijuca. É tudo feito em shopping. Eu sempre vou estar fazendo alguma coisa no shopping, do caixa eletrônico, as farmácias, aos médicos, tudo é em shopping. Parece que você está toda tarde no shopping.”

No início do Encontro muita gente comparava você à apresentadora americana Oprah Winfrey. Entretanto, hoje as pessoas fogem dessas comparações. Como você analisa essa mudança de opinião?

“Sempre achei que a comparação não deveria acontecer, porque eu sabia que o perfil do meu programa não era o mesmo que o dela. Achava um grande elogio, porque era uma jornalista que virou uma grande comunicadora, ela é uma referência americana. Nunca tive nenhum tipo de desconforto quanto a isso, mas não fico feliz que as pessoas falem que esse é o programa da Fátima. O programa tem que ter a cara do nosso público, a cara de nossa televisão.”

O que mais mudou nesses três anos de Encontro?

“A administração do tempo foi uma coisa muito importante. Quando fazia telejornal, tinha um teleprompter e o tempo era cronometrado. Um programa de entretenimento não. Aqui é tudo no improviso e não tem teleprompter. Administrar o tempo foi algo que eu fui aprendendo durante esses anos de “Encontro”. Quanto mais você tem esse domínio, mais natural fica. No inicio, a plateia era muito contemplativa, e o programa não é um programa de auditório como são os outros de fim de semana. É um programa para conversa e discussão. Eu sempre dizia que eles eram convidados e não os usava. Quanto mais a gente usa o convidado, o programa fica muito mais redondo. E as redes sociais também ajudam muito na dinâmica do diário. Tudo isso ajudou na dinâmica do programa, mas fazer 860 programas também ajudou (risos).”

O que tira você do sério?

“Fome! Que bom que o programa termina ao meio-dia, porque eu almoço cedo. Quem acorda cedo, tem fome cedo. Eu não lido bem com fome. Eu também gosto de dormir bem. Então, cansaço e fome, são duas coisas que me tiram do sério. Mas, eu não sou uma pessoa irritada. Pode perguntar quem quiser. Da portaria até ao estúdio. Sou uma pessoa muito grata por conseguir fazer o que eu quis fazer. Isso no país como o nosso, é um luxo! Ter escolhido a profissão que eu escolhi e ter dado certo nessa profissão e ter conseguido construir uma carreira e uma família. Então, meio que me sinto no direito de ter muito do quer esbravejar. Agora, com fome, sim! (risos).”

Depois que você mudou para o entretenimento, o número de fã clube aumentou. Você se sente uma celebridade?

“Eles fazem com que eu me sinta. Desde os presentes até as fotos que muitas vezes eu nem vi. Celebridade é um titulo difícil da gente aceitar, né? Eu sou uma pessoa que tenho um vinculo com esses fãs. Realmente aumentou o número de fã clube. Isso é uma coisa que me impressiona. Fico muito lisonjeada com esse carinho. Elas acham coisas da gente que a gente não sabe de onde saiu (risos).”

A abordagem da Fátima do Jornal Nacional, para a Fátima do Encontro é diferente?

“Hoje tenho um público infantil muito grande. A chegada ao entretenimento, e o horário do programa, me trouxeram uma galera mais nova. Me surpreendi no Rock in Rio, me surpreendo até quando estou comprando tênis para filho e quando eu vou na reunião da escola dos meninos. É uma garotada que praticamente não me via fazendo o jornal.”

Você não tem vontade de ser atriz, mas não pensa em escrever um livro?

“Nem atriz, nem cantora (risos). Não, não, não, não. Eu não vou ter o que escrever. Vocês me perguntam tudo. Vou contar o quê para o público? Vocês publicam tudo ao meu respeito. Eu vou contar o quê mais? Não tem nem o que contar.”

Desses três anos de Encontro, qual foi o momento que mais emocionou você?

“Nossa! Isso é bem difícil. Muitos. Mas olha, cada vez que eu converso com alguém que perdeu um filho, é dose. É a coisa mais dura que tem para quem é mãe. Eu já tive essa oportunidade no programa algumas vezes e é complicado! É muito difícil você lembrar, porque são mais de 800 programas gravados. Notícia de morte também é bem complicado noticiar.”

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