Otávio Montana (Marco Nanini), protagonista de Andando nas Nuvens
Otávio Montana (Marco Nanini), protagonista de Andando nas Nuvens (divulgação/TV Globo)

A novela O Tempo Não Para conquistou os melhores resultados de audiência para uma estreia das 19h na Globo em 10 anos. Mérito do autor Mario Teixeira e de toda a equipe, que conta uma história divertida e inspirada. Relembre abaixo Andando nas Nuvens, cujo protagonista “parou no tempo”, a exemplo dos Sabino Machado de hoje.

Andando nas Nuvens foi ao ar em 1999 pela Globo no mesmo horário de O Tempo Não Para. A novela de Euclydes Marinho substituiu na ocasião Meu Bem-querer, de Ricardo Linhares. O protagonista era Otávio Montana (Marco Nanini), que passou 18 anos em estado de encefalite letárgica após uma queda quando presenciou a morte de seu pai. Há algo de que ele não se recorda, porque acabou bloqueando o fato em sua memória ante tamanho trauma. Foi o irmão de criação, Antonio San Marino (Cláudio Marzo), quem matou seu pai e o empurrou da sacada. Sendo assim, ao despertar Otávio permanece enxergando em “San”, como o chama, seu maior amigo.

O Tempo Não Para é a novela das 19h com maior audiência na primeira semana em 10 anos


Mal sabe ele que San Marino sempre fora inescrupuloso e era apaixonado por Eva (Renata Sorrah), sua esposa e mãe de suas três filhas. Eva só aparece na novela em seu decorrer, quando volta ao Brasil sob outra identidade: Condessa Astrid von Branbemburg. Ela havia passado os últimos 18 anos no exterior, dada como morta. Ao passo que San Marino vive um casamento infeliz com Gonçala (Susana Vieira). Os dois têm dois filhos, Arnaldinho (Márcio Garcia) e Thiago (Caio Blat).

As filhas de Otávio Montana

As três filhas de Otávio cresceram sem pai nem mãe. A caçula, Celi (Mariana Ximenes), foi viver num convento ainda bebê e quando a novela começa está deixando a instituição. Ela se apaixona por Thiago, e os dois descobrem o amor juntos. Suas irmãs, que eram crianças quando o pai entrou em coma e a mãe supostamente morreu, não podiam cuidar dela.

A mais velha é Júlia (Débora Bloch). Jornalista, determinada, bonita, desenvolveu uma postura muito precavida e decidida diante do mundo com a falta dos pais. Seu par romântico é Chico (Marcos Palmeira), também jornalista, com quem vive às turras. A semelhança de Júlia com Eva impressiona San Marino, que enxerga nela a antiga amante e deseja conquistá-la.

A filha do meio é Elizabeth (Vivianne Pasmanter). Um pouco sem rumo, é infeliz em seu casamento com Nicolau (Carlos Evelyn), que a ama, mas não a satisfaz em suas ambições. Bete acaba se envolvendo com Arnaldinho. Mas seu grande amor será Raul (Marcello Novaes), fotógrafo e amigo de Chico.

A amnésia de Otávio

Dom Sabino Machado (Edson Celulari) e sua família acabam congelados após um naufrágio em 1886 e precisam se habituar à vida completamente diferente de 2018. Ao passo Otávio Montana não ficou “congelado” para a vida por tanto tempo, foram apenas 18 anos. Todavia, ele só desperta da encefalite letárgica após levar um violento choque, que provoca novo problema. Amnésia. Ao despertar, Otávio não se recorda de nada posterior a 1968, época em que ainda era noivo de Eva. Afora as muitas modificações políticas, sociais, geográficas, culturais, ele precisa se habituar a uma vida de viúvo e pai de três moças.

O Tempo Não Para: Entrevista com o autor Mario Teixeira

O humor de Andando nas Nuvens e O Tempo Não Para: mesmas bases, diferentes conduções

Família Sabino no século 19 em O Tempo Não Para
Família Sabino no século 19 em O Tempo Não Para (Divulgação)

Embora Otávio tivesse uma trajetória triste, enganado pelo irmão de criação, pela mulher e privado do crescimento das filhas, o personagem tinha tintas cômicas. Não à toa um dos títulos provisórios da novela foi Maluco Beleza. Videocassete, CD, internet, tudo isso nem passava pela cabeça do homem.

A graça do personagem – e a grande diferença para a família Sabino Machado de hoje – é que, embora a diferença temporal fosse pouca, menos de 20 anos, exatamente por isso soava cômica sua ignorância diante da modernidade. A distância de quase um século e meio do naufrágio ao despertar dos personagens de O Tempo Não Para também gera comicidade com o choque de situações. No entanto, o aumento de tempo provoca outro tipo de humor, porque são ainda mais novidades inusitadas com quais os personagens são obrigados a lidar. Afinal, nem se imaginava no final do século 19 que a ciência chegaria ao ponto de “ressuscitar” pessoas que passassem mais de cem anos congeladas.

Andando nas Nuvens foi dirigida por Dennis Carvalho, José Luiz Villamarim e Ary Coslov. Este interpretou Gregório Montana, o pai de Otávio, nas cenas de flash-back. Além de Euclydes Marinho, também escreveram a novela Elizabeth Jhin, Vinícius Vianna e Letícia Dornelles. Foram 197 capítulos exibidos de março a novembro de 1999. Até hoje, infelizmente, a novela não ganhou reprise no Vale a Pena Ver de Novo, nem no Canal Viva. Mas a partir do ano que vem, quando será vencida a “barreira temporal” que impede novelas com menos de 20 anos na emissora paga, quem sabe?

1 COMENTÁRIO

  1. Curiosidades dessa novela:

    Seu primeiro capítulo obteve 36 pontos de média.

    Esse índice não foi mantido e a audiência da novela começou a penar. Um dos fatores para a baixa audiência era a concorrência com a telenovela infantil Chiquititas.

    Teve como títulos provisórios: Feliz por um Triz, Volta por Cima, Doido Varrido, Maluco Beleza, Alto Astral, A última noite do século, As Cinco Fases do amor,… Foi a novela com maior número de títulos provisórios.

    Foi a primeira novela solo de Euclydes Marinho. Para escrever a novela, ele baseou-se nas comédias românticas das décadas de 40 e 50.

    A decisão de colocar uma novela romântica no horário foi fruto de uma pesquisa que mostrava que o telespectador buscava assistir programas trágicos, e o romantismo da novela seria uma opção mais leve.

    Marcou a volta de Marco Nanini às novelas desde Pedra sobre Pedra, com o divertido desmemoriado Otávio Montana.

    Marcos Palmeira que fazia o co-protagonista Chico Mota ficou doente com uma crise de hemorroidas nos últimos dias de gravação ficando sem aparecer em 3 episódios e só aparecendo no último. As cenas dele foram apenas lembradas pelos personagens. Numa cena em que Chico Mota tinha que desvendar San Marino acaba por ir Débora Bloch, Júlia Montana, dizendo que ele estava com febre por isso não podendo vir.

    A escritora Heloísa Hilário Kohler acusou o autor Euclydes Marinho de plagiar um livro de sua autoria, que nunca foi publicado. Segundo ela, semelhanças da história do livro podiam ser vistas na novela. A Rede Globo e o autor contestaram as acusações.

    Marcou a estreia em novelas da Globo: Fernanda Souza, Mariana Ximenes e Caio Blat.

    O papel de Júlia Montana era no princípio para Malu Mader, mas acabou por ficar com Débora Bloch.

    A abertura mostrava cartões a subir com casas, pessoas, barcos e outros, outra abertura que tinha cartões a mexer era da novela da mesma emissora, Estúpido Cupido. Nessa época as aberturas nos primeiros capítulos eram mostradas completas e depois eram cortadas, aconteceu com Andando nas Nuvens, Força de um Desejo, Suave Veneno, entre outras,…

    Júlia Lemmertz atuou a novela inteira grávida, nas últimas cenas como já não dava para esconder a barriga ela usava objetos como um chapéu ou um leque.

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