Novela Belíssima (Divulgação)
Novela Belíssima (Divulgação)

A Rede Globo vem anunciando com bastante destaque nos intervalos de sua programação a volta da novela Belíssima, de Silvio de Abreu, na sessão Vale a Pena Ver de Novo, a partir do dia 4 de junho. Após um grande jejum de novelas das 21h na faixa de reprises da emissora, o fim das restrições de horário motivadas pela classificação indicativa já permitiu que duas delas, Senhora do Destino (2004/05), de Aguinaldo Silva, e Celebridade (2003/04), de Gilberto Braga, o atual cartaz, ganhassem novamente o vídeo.

Curiosidades da novela Belíssima, que volta em junho nas tardes da Globo

Belíssima é uma novela que faz jus ao título da faixa: vale a pena ver de novo essa história que conquistou grande sucesso em sua exibição original e apresentou bons desempenhos do elenco, marcou época com sua cruel vilã e já se tornou um símbolo das produções de seu tempo, embora tenha apenas 13 anos incompletos. Este texto contém spoilers sobre o enredo, então, se você não conhece bem a novela e vai aproveitar a oportunidade para acompanhá-la como inédita, pare a leitura por aqui.

Globo afirma não ter tirado Carolina Ferraz das chamadas de Belíssima

A novela estreou em novembro de 2005, e tinha a responsabilidade de manter os bons índices da muito criticada, porém muito assistida América, de Glória Perez. Era a história de Júlia Assumpção (Glória Pires), executiva que desde a infância tem a sombra da mãe, Stella Assumpção, pairando sobre ela e determinando seus rumos. De beleza incomum, Stella era modelo e morreu tragicamente. Sua mãe, Bia Falcão (Fernanda Montenegro), teve de criar os netos Júlia e Pedro (Henri Castelli) e espezinha a neta de todas as formas que pode, comparando-a o tempo todo com a filha morta e diminuindo-a diante de todos. Uma frase marcante, que define o que Bia pensa da neta e o modo como a trata, era usada nas chamadas de lançamento na época e também é usada agora: “Júlia tem o pior defeito que uma mulher pode ter: é comum.” Além de tudo Bia acusa Júlia de ter competido decisivamente para a morte de seus pais num acidente de avião, o que depois é comprovado como sendo uma mentira. Algum carinho para Júlia no seio da família vem apenas do irmão Pedro e do tio-avô, Gigi (Pedro Paulo Rangel), um cinéfilo inveterado que Bia também humilha sempre que pode.

O nome da novela é também o da empresa de lingeries da família, liderada pelas duas, já que Pedro fugiu do jugo de Bia e foi morar na Grécia, onde se estabeleceu com um restaurante. O rapaz é casado com Vitória (Cláudia Abreu), que conhecera quando ela vendia balas em semáforos, o que provocou a ira de sua avó, e com ela teve a filha Sabina (Marina Ruy Barbosa). Um funcionário e grande amigo do casal é o grego Nikos Petrakis (Tony Ramos), que deseja ir para o Brasil e conhecer o filho que tivera com uma namorada da juventude, Katina (Irene Ravache).

Esse filho é Cemil (Leopoldo Pacheco), que Katina mentiu dizendo ser de Murat Güney (Lima Duarte), um turco a quem ela se uniu e que lhe deu mais dois filhos: o mimado Narciso (Vladimir Brichta), que se vale de sua beleza para obter que o deseja, mas não é um mau-caráter propriamente; e a esfuziante Safira (Cláudia Raia), que está no quinto casamento, com o comerciante Takae (Carlos Takeshi). Mesmo casada, Safira não consegue conter o desejo que sente pelo borracheiro Pascoal (Reynaldo Gianecchini), de poucas letras, que fala errado, mas boa pessoa e que namorou Vitória na adolescência.

Cemil trabalha na Belíssima e é apaixonado por Júlia, que gosta dele e o respeita muito, mas nunca lhe deu a abertura necessária para que ele visse chance de se declarar. Infeliz no amor, ele foi abandonado pela mulher e criou sem ela os filhos Mateus (Cauã Reymond) e Soraya (Enrica Duncan). Mas sua vida ganha novo colorido quando conhece a jovem Mônica (Camila Pitanga), empregada doméstica que cria Toninho (Thomaz Veloso), filho de sua amiga Valdete (Leona Cavalli) com um ex-patrão, Alberto Sabatini (Alexandre Borges), um mulherengo, que já fora casado duas vezes com Safira e tivera com ela a filha Giovanna (Paola Oliveira). Justamente Alberto depois vai disputar Mônica com Cemil, além de se envolver com a ex-modelo e hoje dona de agência Rebeca Cavalcanti (Carolina Ferraz), que dá uma chance a Giovanna no mundo da moda.

O segredo de Katina a respeito de Cemil é usado por Bia contra ela e sua família, já que ela deseja se vingar de Murat e seus descendentes por ter sido desprezada pelo turco no passado. Com a desculpa de utilizar o local privilegiado da casa dos Güney em Campos Elíseos, bairro da região central da capital paulista, para novas instalações da Belíssima, Bia queria comprar a propriedade, apenas para ter o prazer de tirá-los de lá.

Sem enxergar o sentimento que Cemil nutre por ela, logo no início da novela Júlia se encanta com André Santana (Marcello Antony), com quem ela engata um romance reprovado por Bia devido ao fato dele ser pobre. Um casamento de Júlia não dera certo e o homem era semelhante a André em alguns aspectos, o que Bia joga na cara da neta sempre que tem a oportunidade. Mesmo com a oposição da avó, Júlia acaba se casando com André, levando-o para morar em sua mansão e dando a ele um cargo de chefia na Belíssima, onde ele já trabalhava, mas numa posição simples de operário, conquistada com ajuda de Cemil.

A essa altura, a família de Pedro está de volta ao Brasil, após o rapaz ser morto num incidente no restaurante. Vitória volta para a terra natal com Sabina, seu irmão mais novo Tadeu (Thiago Martins) e Nikos, e também enfrenta a ira de Bia, obrigada a receber o grupo por causa de Júlia e motivada pela presença da bisneta, que deseja tirar da mãe para criar à sua maneira e transformá-la numa nova Stella, o que não conseguiu com Júlia nem com a filha desta, Érica (Letícia Birkheuer). A volta de Vitória ao Brasil também reacende seu romance com Pascoal.

O casamento de Júlia e André sofre duro golpe quando ela o apanha na cama com sua filha, além de ter sua fortuna roubada por ele. Ela tem de recomeçar, com a ajuda da cunhada Vitória e de Nikos, que se apaixona por ela. Mas a vida amorosa da protagonista continua indefinida por algum tempo, porque embora não seja segredo o amor do grego por ela, Júlia se depara com um André arrependido do golpe que aplicou, orquestrado por alguém que está acima e o contratou para isso, e se mostra verdadeiramente apaixonado pela mulher – embora arraste suas asas para Vitória também, em determinado momento.

Júlia fica muito impressionada ao presenciar a morte da avó, vendo de um helicóptero o carro que a levava cair no meio da serra durante uma viagem. Mas tempos depois, mesmo com diversos suspeitos que eventualmente poderiam ter dado fim em Bia, ela reaparece, viva e mais ácida do que nunca, explicando com toda a naturalidade que havia se cansado dos muitos problemas e se refugiado no interior para descansar. Com o golpe dado por André em Júlia, as investigações sobre o assunto concentram suas suspeitas em Bia no decorrer da trama, e revela-se que era a avó quem havia arquitetado um plano para se apossar do patrimônio da neta, utilizando-se de André para melhor e mais rapidamente alcançar seu objetivo.

Revela-se ainda que o caso extraconjugal de Murat e Bia gerou um filho (ou uma filha). Essa dúvida se explica pelo fato de que ao dar à luz Bia se negou a saber o sexo da criança, tamanho seu desprezo por ela, que representava o desdém do homem que amava. Vários personagens podiam ser revelados como o filho ou a filha dos dois, especialmente os de origens mais distantes e obscuras, como Pascoal e Rebeca. Mas o fruto do caso foi Vitória, que a ironia do destino fez ser a esposa do neto Pedro, a quem Bia matou por acidente, desejando pôr fim à vida da própria filha sem saber.

A partir do dia 4, a emissora aposta nesta novela de grande sucesso de Silvio de Abreu para melhorar sua audiência no final da tarde. Com uma edição que a valorize e saiba explorar seus bons momentos e a grande expectativa que geram no público as revelações da história, pode conseguir.

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