Mariana Ximenes viveu Clara em Passione (divulgação)

Apresentando grandes medalhões em seu elenco, como Fernanda Montenegro e Tony Ramos, a novela Passione, de Silvio de Abreu, tinha como protagonista de fato a sua vilã, vivida por Mariana Ximenes. Passione estreava há exatos sete anos, em 17 de maio de 2010, na faixa mais nobre da Globo.

Passione estreou como um dramalhão tradicional. Na trama, Bete Gouveia (Fernanda Montenegro), esposa de um poderoso empresário do ramo da metalurgia, descobre que o filho que tivera no passado, e que acreditava estar morto, vivia na Itália. Ao descobrir que o primogênito estava vivo, Bete começa a procurá-lo. Mas ela não está sozinha na busca. Clara (Mariana Ximenes), a enfermeira do marido de Bete, fica sabendo da existência do herdeiro da empresária, e arma um plano com o namorado Fred (Reynaldo Gianecchini). Juntos, eles vão à Itália em busca de Totó (Tony Ramos), o filho de Bete, e Clara o seduz para se casar com ele.

Totó e Clara se casam, para desespero de Gemma (Aracy Balabanian), irmã de criação do camponês, e de Bete Gouveia, que logo percebem que a bela jovem não é flor que se cheire. Mas Totó, um solitário pai de quatro filhos, se rende a uma paixão diante daquela linda mulher. Porém, mais adiante, Passione se transforma, passando de dramalhão a thriller de suspense. Primeiro, descobre-se que Eugênio Gouveia (Mauro Mendonça), o marido de Bete que morreu no episódio de estreia, não estava doente, como se pensava: na verdade, ele foi assassinado por envenenamento. Pouco tempo depois, Saulo Gouveia (Werner Schünemann), o mau-caráter filho de Bete, também aparece morto num motel, com uma faca enfiada na barriga. Quem estaria por trás destas mortes?


Apenas no último capítulo a verdade é revelada: Clara era a responsável pelas mortes. Foi mostrado que Clara e Saulo se conheciam desde que a vilã era menina. Clara era aliciada pela própria avó, e Saulo mantinha relações com ela. Assim, foi Saulo quem colocou Clara em sua casa como enfermeira, e foi ele quem a mandou matar o próprio pai, no intuito de assumir o comando da Metalúrgica Gouveia. No entanto, quando Clara e Saulo se desentendem, ele decide se vingar da amante e começa a mandar as cartas anônimas que denunciavam à família Gouveia que Eugênio foi envenenado. E Clara, então, decide se livrar de Saulo, levando-o para um motel e o assassinando a facadas. No fim da história, Clara consegue se passar por morta e fugir, mas não sem antes “plantar” a prova do assassinato de Saulo no apartamento de Fred, seu cúmplice, que acaba preso pelo crime.

Ou seja, quando Passione chegou ao fim com todos os segredos de família revelados, ficou bastante claro que toda a história girava em torno de Clara. Assim, a personagem era uma “vilã-protagonista”, afinal, a novela era sobre ela. E o mais interessante é que Clara era uma vilã bastante humanizada, pois sua personalidade foi toda muito bem construída. Ela tinha um passado sofrido, afinal, era aliciada pela avó e abusada por Saulo ainda criança. Cresceu buscando se dar bem, mas, ao mesmo tempo, lutava para que a irmã Kely (Carol Macedo) não tivesse o mesmo triste destino que o dela. Sem dúvidas, uma personagem bastante tridimensional.

Além da trama principal, Passione teve diversas boas tramas paralelas. Havia o triângulo romântico tradicional, envolvendo os amigos Gerson (Marcello Antony) e Mauro (Rodrigo Lombardi), apaixonados pela mocinha Diana (Carolina Dieckmann). A trama não empolgou e a personagem de Carolina não agradou a audiência, que a considerou volúvel. Tanto que Diana acaba morrendo na reta final da novela, após dar à luz seu filho com Mauro. A parte cômica da trama ficava com a família de Olavo (Francisco Cuoco), o “Rei do Lixo”, casado com a divertida Clô Souza e Silva (Irene Ravache), uma perua que sonhava em ser muito chique. Passione também chamava a atenção pela quantidade de atores veteranos em cena: além dos já citados, havia Cleyde Yáconis (a “safadinha” dona Brígida), Leonardo Villar (Antero), Elias Gleiser (Diógenes) e Emiliano Queiroz (Benedetto), todos envolvidos num engraçado “quadrilátero amoroso”.

Passione foi a última novela do autor Silvio de Abreu no horário nobre da Globo (depois, ele assinou o remake de Guerra dos Sexos às 19h, antes de assumir a direção geral de teledramaturgia da emissora). Adepto das tramas policiais desde o sucesso de A Próxima Vítima, o autor entregou outra história cheia de mistérios e reviravoltas. No entanto, a novela demorou a decolar: apenas após o assassinato de Saulo, Passione entrou no trilho de audiência exigido pela Globo na época. Na média geral, a trama registrou 35,3 no Ibope, um resultado considerado fraco.

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Relembre a abertura de Passione: