Pedro (Alexandre Nero) e Ramiro (Fabio Assunção) em Onde Nascem Os Fortes
Pedro (Alexandre Nero) e Ramiro (Fabio Assunção) em Onde Nascem Os Fortes (Divulgação/ TV Globo)

Chega ao fim nesta segunda-feira Onde Nascem os Fortes, segunda produção vendida pela Globo como “supersérie” do horário das 23h. Após 53 capítulos, a história escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg parece ter fixado a nova nomenclatura. Até 2016, com Liberdade, Liberdade, a emissora chamava as produções do horário de “novelas das 11”. Em contraste com esse título, Os Dias Eram Assim foi chamada já de “supersérie”.

A supersérie não é uma novela tradicional, já que é mais curta, nem uma minissérie tradicional. Afinal, é mais longa do que esta e com trama mais próxima da novela. Essas características foram sendo incorporadas e aprimoradas pelo formato do horário a cada experiência. Com efeito, levando-se também em conta as contingências do mercado de TV e as exportações, a nomenclatura “supersérie” funciona melhor do que “novela”.

Especialmente quando nos lembramos de que no produto em si há elementos que aludem a produções estrangeiras. Além de liberdades temáticas impedidas pelas novelas, exibidas mais cedo. Com o objetivo de denominar o produto que exibe no meio do ano, com características de vários outros, optou-se pela criação de um novo nome. No entanto, o que se tem visto nesse horário ainda são as “novelas das 11”. Porém, com outra denominação mais conveniente às estratégias globais.

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O surgimento da novela das 11, antes da supersérie

Em 2011, a Rede Globo decidiu produzir uma nova versão de O Astro, clássico de Janete Clair, para lançar um novo horário de novelas. A deixa para o projeto foi a intenção de homenagear os 60 anos do gênero no Brasil.

Pensada para cerca de 60 capítulos – fechou em 64 -, O Astro alcançou grande sucesso para a faixa e mostrou a aprovação do público para a experiência. Por consequência o horário manteve por algum tempo o espírito de resgate de histórias antigas da casa – de 2011 a 2014.

Nesse meio tempo, em 2012 foi apresentada Gabriela, de Walcyr Carrasco a partir da obra de Jorge Amado. No ano seguinte, Ricardo Linhares atualizou Saramandaia, de Dias Gomes. Em 2014 foi a vez de O Rebu, de Bráulio Pedroso. A saber, essa releitura foi feita pelos mesmos Moura e Goldenberg de Onde Nascem os Fortes.

Comemorando seus 50 anos em 2015, a Globo decidiu produzir uma história inédita para a faixa das 11 e Walcyr Carrasco escreveu Verdades Secretas. Em 2016 Mário Teixeira escreveu Liberdade, Liberdade, com argumento de Márcia Prates.

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Por 30 anos, o horário da supersérie foi de minisséries na Globo

Entre 1982 e 2011, a faixa das 23h (antes 22h15min e depois 22h30) foi consagrada pela Globo a produções dramatúrgicas curtas, chamadas de “Séries Brasileiras”. Posteriormente, a partir dos anos 1990, de “minisséries”. Por outro lado, sua duração variou de 8 a 56 capítulos – nem todas foram tão “mini” assim. Salvo uma variante, as “microsséries”, que ficavam entre 3 e 4 capítulos.

As “Séries Brasileiras”, em episódios semanais ou capítulos diários, substituíram na ocasião as novelas das 10. A faixa durou toda a década de 1970 e apresentou novelas históricas como O Cafona, O Bem-amado e O Grito. Também podem ser citadas Bandeira 2 e Os Ossos do Barão. O formato foi substituído em 1979 pelas séries nacionais, como Malu Mulher e Carga Pesada. A ideia era ocupar com produção nacional um espaço dominado pelos enlatados estrangeiros e oxigenar a dramaturgia, indo além dos folhetins longos e tradicionais. Houve ainda uma tentativa isolada de retomar o horário para novelas com Eu Prometo, em 1983.

Certamente, algumas das minisséries mais marcantes da história da Globo e lembradas até hoje originaram-se de romances conhecidos. Para exemplificar, cite-se O Tempo e o Vento, Tenda dos Milagres, Grande Sertão: Veredas e O Primo Basílio. Ainda, Memorial de Maria Moura, uma das produções mais vistas do horário. Similarmente, nos anos 2000 merece destaque A Casa das Sete Mulheres, também adaptada de um romance, que tornou-se best seller.

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