José Wilker e Bruna Lombardi em O Fim do Mundo (Divulgação/ TV Globo)

Quando são reunidas curiosidades sobre a história das novelas da Rede Globo, um item que não costuma faltar é a relação das mais longas, que duraram mais tempo no ar, como Irmãos Coragem e Selva de Pedra, ambas de Janete Clair, em suas versões originais dos anos 1970. Mas e quanto às mais curtas? Seja por problemas de repercussão ou por integrarem estratégias da emissora ao tempo em que foram produzidas, algumas novelas passaram poucas semanas no ar e não ganharam a denominação de “minisséries”, levando em consideração essa passagem rápida pelos vídeos. Vamos relembrá-las.

Até hoje, em quase 53 anos de atividade, a novela mais curta apresentada pela Globo foi Marina (1965), escrita por Leonardo de Castro e dirigida por Moreira Júnior. A história da personagem-título (interpretada por Maximira Figueiredo, de voz bastante característica conhecida por seu trabalho como dubladora e que deu as caras em outras novelas como Cavalo Amarelo e Pérola Negra) foi contada em apenas 15 capítulos.

Empatadas na segunda posição, com 20 capítulos cada uma, as duas primeiras novelas do ciclo de adaptações literárias do núcleo das 18h, dirigidas por Herval Rossano em 1975: Helena, de Gilberto Braga com base em Machado de Assis, exibida em maio, sobre o amor que nasce entre os jovens Estácio (Osmar Prado) e Helena (Lúcia Alves) é atrapalhado pelo empecilho maior: a jovem chega à casa da família dele como sua meia-irmã, filha bastarda de seu pai, o Conselheiro Vale, que morre e apresenta esta verdade em seu testamento; e O Noviço, escrita por Mário Lago a partir do texto teatral de Martins Pena, no ar em junho, na qual Carlos (Pedro Paulo Rangel) é usado pelo tio Ambrósio (Jorge Dória) em suas artimanhas para conquistar a herança da rica viúva Florência (Isabel Ribeiro).

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Na quarta posição, empatadas a primeira versão global de A Moreninha, também de 1965, com Marília Pêra e Cláudio Marzo, baseada no clássico de Joaquim Manuel de Macedo e que ganhou nova versão com Nívea Maria e Mário Cardoso como o casal Carolina e Augusto e seu romance em Paquetá em 1975; e O Fim do Mundo, “supernovela em 35 capítulos” de Dias Gomes, no ar em 1996 para tapar o buraco provocado pelo atraso na produção de O Rei do Gado, substituta de Explode Coração. Na cidade de Tabacópolis, o anúncio do vidente Joãozinho de Dagmar (Paulo Betti) de que o mundo vai acabar mexe com a cabeça dos habitantes, levando a atitudes extremas como o estupro de Gardênia (Bruna Lombardi) por seu cunhado Tião Socó (José Wilker).

Com 36 capítulos, na sexta colocação vem o remake adaptado de O Rebu, de Bráulio Pedroso, escrito por George Moura e Sérgio Goldenberg e dirigido por José Luiz Villamarim, exibido na faixa das novelas das 23h, hoje “superséries”, em 2014. A morte de Bruno (Daniel de Oliveira) ocorre durante uma grande festa na mansão da milionário Ângela Mahler (Patrícia Pillar) e todos os presentes são suspeitos – inclusive a própria Ângela e sua filha adotiva, Duda (Sophie Charlotte).

Em sétimo, com 50 capítulos, vêm empatadas mais duas novelas dos primórdios da emissora, em 1965: Rosinha do Sobrado, escrita por Moysés Weltman e dirigida por Graça Mello, com Marília Pêra no papel-título e Gracindo Júnior, e Paixão de Outono, de Osman Lins com direção de Sérgio Britto, Fernando Torres e Líbero Miguel, um título que aludia ao romance na maturidade do casal formado for Alberto (Walter Forster) e Verônica (Yara Lins) cujo maior obstáculo era Linda (Rosita Thomaz Lopes).

O nono lugar fica com Ilusões Perdidas, a primeira novela da Globo, escrita por Ênia Petri e dirigida por Sérgio Britto e Líbero Miguel. Exibida em 1965, foi gravada em São Paulo, mas exibida primeiro na praça do Rio de Janeiro. No elenco, Reginaldo Faria, Leila Diniz, Emiliano Queiroz e Norma Blum, entre outros.

Empatada com ela em 56 capítulos fica a segunda versão de Saramandaia, de Dias Gomes, escrita por Ricardo Linhares. Dirigida por Denise Saraceni e Fabrício Mamberti – este hoje no comando de Deus Salve o Rei –, foi ao ar em 2013, na faixa das 23h. Na cidade de Bole-Bole, onde acontecem coisas estranhas como a transformação do pacato professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes) em lobisomem e o coronel Zico Rosado (José Mayer) colocar formigas pelo nariz, a briga entre os Rosado e os Vilar, clã comandado pelo patriarca Tibério (Tarcísio Meira) ganha cada vez mais força, enquanto os habitantes se dividem entre os querem mudar o nome da cidade para Saramandaia e os que são contra e desejam manter Bole-Bole.

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