Lola (Gloria Pires), Júlio (Antonio Calloni), Carlos (Danilo Mesquita), Alfredo (Nicolas Prattes), Julinho (André Luiz Frambach) e Isabel (Giullia Buscacio) de Éramos Seis
Lola (Gloria Pires), Júlio (Antonio Calloni), Carlos (Danilo Mesquita), Alfredo (Nicolas Prattes), Julinho (André Luiz Frambach) e Isabel (Giullia Buscacio) de Éramos Seis (Divulgação/TV Globo)

A atual novela das seis da Globo, Éramos Seis, é a quinta adaptação do romance de Maria José Dupré para a televisão. O fato de as emissoras recorrerem ao famoso livro de tempos em tempos mostra a força da saga de dona Lola e sua família. O texto é tão aclamado que a adaptação do SBT, realizada em 1994, foi considerada a melhor novela da história da emissora de Silvio Santos. No entanto, a atual versão, embora cheia de qualidades, não tem sido o estouro esperado. Por que será?

É preciso fazer justiça e enumerar as várias qualidades da atual versão. A autora Angela Chaves vem se mantendo, de maneira geral, bastante fiel ao texto de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, que foi usado pela TV Tupi em 1977 e pelo SBT em 1994. No entanto, vem fazendo atualizações pontuais, sobretudo na postura de Lola, agora vivida por Gloria Pires, que está menos submissa. Mas a essência da história, um folhetim apoiado nas relações humanas e familiares, se manteve.

A direção de Carlos Araújo também merece elogios pela reconstituição de época requintada. Isso sem falar no elenco, também bastante feliz. Lola é uma personagem marcante na carreira de Irene Ravache, e Gloria Pires parece a atriz certa para sucedê-la, sobretudo na composição minimalista. Antonio Calloni e Susana Vieira também estão ótimos nos papéis que Othon Bastos e Natalia Thimberg fizeram tão bem. Maria Eduarda de Carvalho e Eduardo Sterblitch são gratas surpresas. E o elenco jovem também não decepciona. Sendo assim, o que acontece?

Novos tempos

Há dois pontos principais que podem explicar o desempenho mediano de Éramos Seis até aqui. Um deles é justamente o fato de a trama já ter tido tantas versões. Mesmo quem não viu as anteriores conhece a obra, já que se trata de um clássico da TV. Sendo assim, montar a história pela quinta vez pode parecer um exagero.

Além disso, Éramos Seis parece uma novela mais antiquada, se considerarmos a produção audiovisual atual. Num momento em que as novelas estão cada vez mais ágeis, velozes e apostando em vilões caricatos e situações rocambolescas, Éramos Seis surge mais contemplativa. A trama trata do cotidiano de uma família, sem grandes viradas ou sequências apoteóticas. Isso pode causar a impressão de ser uma novela mais lenta, com poucas coisas acontecendo.

Porém, apesar de não ter repetido o sucesso anterior até aqui, Éramos Seis está longe de ser um fracasso. A história, mesmo com o ritmo mais desacelerado, continua magnética e emocionante. É uma boa novela das seis.

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