Fernando Caruso como Bolsonaro no Zorra
Fernando Caruso como Bolsonaro no Zorra (Reprodução/TV Globo).

Desde que entrou no ar, em 2015, o Zorra deixou claro ao público a sua nova proposta, distinta ao Zorra Total. Saíram os personagens fixos e os bordões, e entraram cenas curtas que reproduzem um olhar atento e crítico ao cotidiano brasileiro. Trata-se de um tipo de humor que ganha musculatura quando passa a abordar a sociedade a partir de um ponto de vista irônico, debochado e, ao mesmo tempo, com tom de denúncia. Assim, em tempos de crise, a inspiração corre solta. E o humorístico da Globo, neste contexto, vive sua melhor fase.

Neste momento em que o Brasil vive uma polarização política, Zorra reafirma o papel do humor como ferramenta de reflexão. Por isso mesmo, os esquetes envolvendo o presidente Jair Bolsonaro ganham o público. O tipo vivido por Fernando Caruso faz sucesso nas redes sociais, e é alvo constante de críticas e elogios. O fato de não passar indiferente mostra o poder do humor diante do debate político.

Mas o Zorra não vive apenas de política. O humorístico também aborda outros aspectos sociais, sempre de maneira esperta e contundente. Neste sentido, o Zorra conseguiu subverter o sentido do humor televisivo, de maneira positiva. O antigo Zorra Total era caracterizado por piadas consideradas, muitas vezes, machistas e homofóbicas. O novo Zorra leva o público a rir justamente de machistas e homofóbicos.

Evolução

O tipo de humor adotado pelo Zorra não chega a ser novo, embora esteja embalado pelo ritmo clipado herdado de vídeos da internet. A crítica social e política já estavam presentes nos humorísticos mais tradicionais, como os clássicos protagonizados por Jô Soares e Chico Anysio, por exemplo. Nos anos 1990, antes da pasteurização, o Casseta & Planeta ocupava com louvor este espaço, contribuindo para o debate de questões fundamentais do país sob a ótica do humor.

Porém, a novidade da vez é o formato mais dinâmico. As cenas curtas, além de dar mais ritmo ao Zorra na TV, também turbinam o potencial de “viralização”, fazendo com que o programa ganhe sobrevida e repercussão nas redes sociais. Esta receita se revelou infalível e agradou o público do horário, tendo em vista os bons resultados de audiência do Zorra. O programa só evoluiu de 2015 para cá.

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