Atriz Débora Bloch será Lúcia na série Segunda Chamada (Divulgação: Globo)
Atriz Débora Bloch é Lúcia na série Segunda Chamada (Divulgação: Globo)

Tramas passadas em escolas não são novidade na Globo, vide as inúmeras temporadas de Malhação. Entretanto, poucas escolas da ficção foram mostradas com tanta força quanto em Segunda Chamada, estreia desta terça-feira (08) na emissora. A série chama a atenção por fazer da escola um microcosmo social, expondo as dificuldades de brasileiros que encaram uma tripla jornada para buscarem mudar de vida.

Mostrando alunos do EJA (Ensino de Jovens e Adultos) da periferia de São Paulo, Segunda Chamada traça um painel social. São personagens tão intensos e cheios de problemas, que a série parece transmitir desesperança. Há uma jovem mãe desesperada, trabalhador que tenta driblar o sono nas aulas, travesti que busca a aceitação… enfim, conflitos que deixariam qualquer diretor de Malhação de cabelos em pé. Entretanto, o texto de Carla Faour e Julia Spadaccini, apesar de intenso, não é desesperançoso. Afinal, os alunos da Escola Maria Carolina de Jesus acreditam que a educação é capaz de transformar. Daí seus sacrifícios.

Em meio a tantas histórias fortes está a professora Lúcia (Débora Bloch). Assim como seus alunos, Lúcia também acredita no poder transformador da educação. Por isso, ela se dedica a auxiliá-los, entregando-se intensamente à missão. Ao mesmo tempo, ela lida com traumas passados. E é por meio de Lúcia e seus alunos que Segunda Chamada denuncia, também, os graves problemas do ensino público nacional.

Série denúncia

Mais do que entretenimento, Segunda Chamada agrega conteúdo qualificado à programação da Globo. A emissora já exibe Sob Pressão, que retrata os problemas decorrentes da falta de políticas públicas eficientes na área da saúde. Desta vez, é a educação pública que ganha luz.

Tais temáticas não são mera escolha artística. Ao expor as mazelas da saúde e educação públicas, as séries da emissora buscam lembrar ao público os verdadeiros pilares de sustentação de uma sociedade saudável. Neste tempo doente em que vivemos, nada mais oportuno.

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