Camilo (Lee Taylor) em A Dona do Pedaço
Camilo (Lee Taylor) em A Dona do Pedaço (Divulgação/ TV Globo)

Nos capítulos mais recentes de A Dona do Pedaço, Camilo (Lee Taylor) se dedicou a descobrir a origem de Chiclete (Sérgio Guizé), numa tentativa desesperada de recuperar o amor de Vivi (Paolla Oliveira). O policial acabou descobrindo que Chiclete é um matador de aluguel e, agora, usará a informação para chantagear a influenciadora digital. Com isso, a trama de Walcyr Carrasco acaba por pintar Camilo como vilão, enquanto o atirador vai se tornando um herói. Algo, no mínimo, controverso.

O romance entre Chiclete e Vivi começou quando o matador foi contratado para eliminá-la. Desde então, os dois vivem uma tórrida história de amor. E pouco se fala sobre o propósito ou sobre o passado do atirador. Por mais que Chiclete pose de matador apaixonado, dando margem a uma regeneração, fato é que ele é (ou, ao menos, foi) um assassino. Sendo assim, soa um tanto estranho que a novela das nove da Globo faça de um assassino o herói romântico. Ao mesmo tempo, o policial que, até então, era honesto, vai ganhando contornos de vilão.

Aliás, trata-se de outra trama um tanto equivocada de A Dona do Pedaço. Camilo sempre foi apaixonado por Vivi, mas nunca se mostrou um obsessivo. Mas, agora, ele trilha o caminho da loucura ao usar uma informação real para forçar Vivi a ficar com ele. A tendência é piorar, já que o plano de Camilo é se casar com ela e mantê-la em cárcere privado.

Os vilões de Carrasco

Porém, fazer de personagens controversos seus heróis não é uma novidade dentro da obra de Walcyr Carrasco. O mesmo Sérgio Guizé viveu Gael em O Outro Lado do Paraíso, folhetim anterior do autor. Na trama, Gael era um homem violento, que batia em sua esposa, Clara (Bianca Bin). No decorrer dos capítulos, porém, Gael foi se regenerando. A trama chegou ao cúmulo de culpar a mãe de Gael, Sophia (Marieta Severo), por seu comportamento violento. Falou-se até em espírito obsessor. Pois é.

Já em Amor à Vida, estreia de Carrasco no horário nobre, algo semelhante aconteceu com Félix (Mateus Solano). O personagem era um vilão terrível, capaz de jogar um bebê numa caçamba e encomendar a morte de um funcionário. Porém, bastou um arrependimento repentino e uns capítulos vendendo hot dog que os crimes de Félix foram esquecidos. Ele foi convertido a herói romântico, tendo direito a um final feliz com Niko (Thiago Fragoso), o personagem mais boa-praça da trama.

Tudo bem que novela é ficção. Mas num momento em que há um questionamento tão evidente do que é certo e errado, o folhetim poderia abordar certos assuntos com um pouco mais de cuidado. Romantizar comportamento criminoso não parece um caminho adequado para uma novela.

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