Kim (Monica Iozzi) e Márcio (Anderson Di Rizzi) em A Dona do Pedaço
Kim (Monica Iozzi) e Márcio (Anderson Di Rizzi) em A Dona do Pedaço (Reprodução)

Quando A Dona do Pedaço começou, um dos destaques da novela era Kim, a intrigante personagem de Monica Iozzi. A agente de Vivi Guedes (Paolla Oliveira) apareceu com um humor mordaz, certa altivez e alguma obsessão por Márcio (Anderson Di Rizzi). Ou seja, aparentemente, Kim tinha várias camadas. Deste modo, ela era uma boa chance de Monica Iozzi ir além da comicidade numa novela das nove.

Porém, o autor Walcyr Carrasco parece querer celebrar sua própria obra em A Dona do Pedaço, resgatando elementos de suas tramas anteriores. E, ao que tudo indica, o destino de Kim é se transformar numa nova Valdirene, a personagem de Tatá Werneck em Amor à Vida. Ao apostar num relacionamento cheio de idas e vindas entre Kim e Márcio, o autor repete situações vistas na amalucada que projetou Tatá na Globo. Além disso, a presença de Anderson Di Rizzi na dobradinha aumenta a sensação de deja vu. Isso porque era ele quem dividia a cena com Tatá em Amor à Vida, onde vivia Carlito, o “Palhaço”.

Nesta semana, Kim até repetiu o bordão de Valdirene numa conversa com Vivi. Ela afirmou que não é uma pessoa fácil. “Sou difícil, dificílima”, afirmou ela, usando a mesma frase que Valdirene sempre disparava. Ou seja, ao apostar cada vez mais no casal e reforçar o lado “obsessiva” de Kim, o autor a transforma numa caricatura cômica. Com isso, leva a personagem para um caminho pouco original.

Monica Iozzi e o humor

Desde que estreou em novelas como a Scarlett/Cidinha, tipo engraçado da novela Alto Astral, Monica Iozzi vinha procurando trabalhos diferentes na dramaturgia. Depois da série Vade Retro, a atriz fez apenas participações, e em séries dramáticas. Ela foi vista recentemente em Carcereiros e Assédio.

Em A Dona do Pedaço, parecia que ela tinha em mãos uma personagem que era engraçada, mas não só isso. Porém, a tendência é que Kim continue neste núcleo dito “de humor”. Uma pena, já que a personagem poderia ir por um caminho além do pastelão fácil que costuma caracterizar o humor nas novelas de Carrasco. Fica para a próxima.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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