Paloma (Grazi Massafera) em Bom Sucesso
Paloma (Grazi Massafera) em Bom Sucesso (Reprodução/TV Globo).

Causou a melhor das impressões a estreia de Bom Sucesso, nova novela das sete da Globo. Escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, a dupla por trás da gostosa Totalmente Demais, a trama mostrou que é possível fazer uma novela sem pirotecnia ou maiores pretensões. Ao valorizar as histórias humanas, os autores mostraram que é possível fisgar o público baseado num elemento simples, mas que vem fazendo falta nas novelas atuais: emoção.

O primeiro capítulo foi redondo e apresentou com eficiência os personagens principais. Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes) são figuras essencialmente humanas e, por isso, despertam imediata identificação. Enquanto a mocinha é humilde e batalhadora, com os pés bem fincados no chão, o protagonista é um idoso adoentado, um tanto rabugento e acometido pela desilusão.

Ou seja, dois personagens que poderiam cair na chatice. No entanto, não o são, justamente pelo texto sensível dos autores. Paloma é forte, mas também é “gente como a gente”, demonstrando todo o seu deslumbramento diante de um laboratório particular requintado. Já Alberto mostrou, na relação com a neta, e até com o filho Marcos (Rômulo Estrela), que há alguma humanidade por debaixo daquela casca. Assim, os dois são figuras que, de cara, despertam compaixão. É fácil torcer por eles.

E não foi apenas o bom texto que faz destes personagens figuras encantadoras. Os atores envolvidos também estão em ótima forma. Grazi, cada vez mais madura em cena, faz uma heroína simplesmente adorável. Ela usa sua espantosa naturalidade para imprimir credibilidade a uma mocinha que poderia cair na caricatura (alô, Juliana Paes!). Já Fagundes se livrou das incômodas muletas que caracterizou seus últimos personagens e entrega uma performance mais limpa. Em suma, a dupla construiu seres humanos críveis.

Mocinhos e coadjuvantes

O primeiro capítulo de Bom Sucesso também deu espaço aos mocinhos do enredo. Marcos, filho de Alberto, é um bon vivant extremamente carismático. Enquanto isso, Ramon (David Junior) é um herói errado, que tenta consertar seu passado torto e se reaproximar de Paloma e da filha. Um triângulo amoroso que tem tudo para acontecer.

Além disso, Bom Sucesso contou com coadjuvantes com muito potencial. Silvana Nolasco (Ingrid Guimarães), Nana (Fabiula Nascimento), Lulu (Carla Cristina Cardoso) e Antônio (Anderson Müller) foram alguns dos destaques da estreia.

Bom Sucesso também acerta ao abordar o mundo da literatura, uma paixão que une vários personagens. Até aqui, as letras foram mostradas no enredo de maneira harmônica, longe de qualquer pretensão. Assim, é possível que a novela até consiga convencer algum espectador a se voltar ao prazer de ler um bom livro.

Bom Sucesso e a vitória do simples

Todos estes elementos aparecem em Bom Sucesso a serviço de uma história simples, mas eficaz. Na trama, Paloma e Alberto terão os exames trocados e ela acreditará que vai morrer. Logo a confusão será desfeita, mas Paloma vai se aproximar de Alberto e os dois, juntos, conhecerão novos olhares sobre a vida.

É justamente esta aposta em sentimentos humanos que faz de Bom Sucesso uma novela com potencial. Numa safra de novelas que apostam em viradas chocantes e gritaria, ver uma história que é toda emoção é bastante agradável. Começou bem.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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