Clara (Thainá Duarte), Verônica (Taís Araújo), Natalie (Débora Falabela) e Luiza (Leandra Leal), personagens de Aruanas
Clara (Thainá Duarte), Verônica (Taís Araújo), Natalie (Débora Falabela) e Luiza (Leandra Leal), personagens de Aruanas (Foto: Globo/Fábio Rocha)

Nunca se falou tanto sobre a preservação do meio ambiente, para o bem ou para o mal. No entanto, falar sobre isso na televisão sem parecer chato ou pedante sempre pareceu impossível. Mas Aruanas, nova série do Globoplay, cumpre o desafio com louvor. A produção, cujo primeiro episódio é a atração da Sessão Globoplay nesta quarta-feira (03), é envolvente e toca em pontos importantes da temática.

Aruanas gira em torno de quatro ativistas ambientais. Verônica (Taís Araújo), Natalie (Débora Falabella) e Luíza (Leandra Leal) são amigas de infância e fundadoras da ONG Aruana, que defende o meio ambiente. A elas se junta a estagiária Clara (Thainá Duarte) quando elas deixam São Paulo rumo a Cari, no Amazonas, num momento em que surge uma denúncia de que uma mineradora está poluindo os rios da região. Juntas, elas enfrentam Miguel (Luís Carlos Vasconcellos), o dono da mineradora.

O texto de Estela Renner e Marcos Nisti, criadores de Aruanas, toca em pontos importantes (pra não dizer fundamentais) acerca da exploração desenfreada dos recursos naturais. A série consegue mostrar os vários lados da problemática, incluindo os interesses comerciais e políticos, além de inserir a questão indígena. Assim, num contexto político e social como o atual, no qual não falta quem passe por cima das leis ambientais, Aruanas faz um necessário trabalho de conscientização. E, felizmente, o faz sem perder de vista o entretenimento. A série não é panfletária, muito menos didática.

Protagonistas implacáveis

Aruanas consegue falar sobre questões ecológicas sem ser chata justamente pela esperteza do roteiro. Os autores fogem da fórmula do folhetim, preferindo apostar num subtexto. Assim, não entregam tudo de cara e fazem o público pensar. Além disso, a espinha dorsal da série é, também, policial, o que garante muita emoção, reviravoltas e intensos acontecimentos.

Fora isso, a série também funciona graças às protagonistas, todas muito bem desenhadas. Verônica, Natalie, Luíza e Clara são ativistas, mas são, também, mulheres às voltas com vidas pessoais atribuladas. Verônica é implacável, mas também carrega uma vida amorosa complicada. Já Natalie tem questões no casamento, enquanto Luíza não consegue se dedicar ao filho tanto quanto gostaria. E a jovem Clara foge de um namorado que a persegue.

Com isso, Aruanas ganha humanidade. As protagonistas poderiam carregar a ingrata pecha de “ecochatas”, mas não o fazem porque são mulheres cheias de conflitos e contradições. Deste modo, o público é envolvido por elas, fazendo com que a experiência de assistir Aruanas passe longe da sensação de estar diante de uma cartilha.

Trunfo do Globoplay

Desde que passou a apostar em conteúdo exclusivo, o Globoplay se tornou um espaço para novas experiências dramatúrgicas da Globo. A plataforma foi feliz em séries como Assédio e Ilha de Ferro, que foram além das experiências na TV convencional.

No entanto, Aruanas é um divisor de águas no campo das séries nacionais no streaming. A série encontrou uma fórmula legitimamente nacional no gênero, fugindo do vício das novelas e oferecendo um produto de alta qualidade. Por isso, e por conta da relevância de sua temática, merecia exibição no canal aberto.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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