Erika (Letícia Sabatella) e Adriano (Rodrigo Lombardi) em Carcereiros (Foto: Globo/Ramón Vasconcelos)
Erika (Letícia Sabatella) e Adriano (Rodrigo Lombardi) a desvendar um terrível esquema, em Carcereiros (Foto: Globo/Ramón Vasconcelos)

Carcereiros encerra sua segunda temporada na Globo maior do que quando começou. A trajetória de Adriano (Rodrigo Lombardi), o protagonista, deu um novo viés à série, que continuou relevante, mas ganhou substância. Aos olhos do público, Adriano tornou-se mais humano diante das contradições em que mergulhou nesta segunda leva.

Nesta temporada, Carcereiros deu mais espaço à vida pessoal de Adriano. O carcereiro viveu um relacionamento intenso com a presidiária Érika (Letícia Sabatella) e, por conta disso, enfrentou uma série de percalços. Em nome de um amor bandido, Adriano questionou sua própria ética profissional, além de bater de frente com sua família. Deste modo, ganhou mais camadas, tornando-se tridimensional. E Rodrigo Lombardi traduziu com perfeição a imperfeição do herói.

Além disso, Carcereiros acertou também ao ir fundo nas mais variadas temáticas que envolvem o sistema carcerário brasileiro. A série falou sobre os problemas sociais que se refletem diretamente nos presídios. Falou também sobre corrupção, seja no sistema político, seja no policial. Foi emblemática a fala do personagem de Babu Santana no último episódio, quando Louveira (Milton Gonçalves, em marcante participação) diz a ele que o Estado “não negocia com bandidos”. “O senhor acredita nisso mesmo, doutor? Que o Estado não negocia com ‘nóis’?”, responde o presidiário.

Tramas paralelas

Não foi apenas Adriano quem cresceu e apareceu na segunda temporada de Carcereiros. O casal Tibério (Othon Bastos) e Solange (Samantha Schmütz) ganhou um novo rumo quando a retidão de caráter do idoso bateu de frente com os atos de sua esposa, fazendo-o sair do trilho. Lívia (Giovanna Rispoli), filha de Adriano, também cresceu e emocionou com sua busca pela mãe.

Assim, Carcereiros mostrou que tem mais possibilidades que ser “apenas” uma série documental sobre o sistema carcerário brasileiro. A série criada por Marçal Aquino, Fernando Bonassi e Dennison Ramalho mostrou que tem personagens bem delineados, que dão fôlego à história. Deste modo, a série renderia, tranquilamente, uma terceira leva, ainda mais depois dos ganchos poderosos do episódio final. Não faltam histórias.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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