Sophia (Camila Rodrigues) em Topíssima
Sophia (Camila Rodrigues) em Topíssima (Divulgação/ Record TV)

Cristianne Fridman, autora de Topíssima, nova novela da RecordTV, está mexendo num vespeiro. A autora propôs uma trama despretensiosa, mas optou como mote uma espécie de batalha entre machismo e feminismo. Um tema cheio de possibilidades, claro, mas que exige cautela na abordagem. Afinal, corre-se o risco de cair na caricatura fácil e, assim, acabar por desmerecer uma luta legítima.

O primeiro capítulo, exibido hoje (21), já deixou claro que o tema não é fácil. A apresentação de Sophia (Camila Rodrigues), a protagonista, não foi muito feliz ao traçar o perfil da jovem workaholic. Sophia aborreceu na maioria das cenas em que apareceu, desenhada como uma patricinha esnobe e voluntariosa. Sua empregada, Clementina (Cláudia Mello), deu a dica de que Sophia tenta aparentar o que não é. No entanto, tudo o que foi visto no primeiro episódio contradisse a fala da governanta.

Além de cultivar o estranho hábito de observar o humilde motorista Antonio (Felipe Cunha) com uma luneta, Sophia surgiu também com um ar blasé em vários momentos. Ela também mostrou certa ojeriza aos homens, quando a mãe Lara (Cristiana Oliveira) a fez assinar um papel no qual concordava em se casar dentro de um ano para assumir a presidência da universidade da qual é dona. Com isso, demonstrou que a novela pode cair na armadilha de tratar o feminismo como uma luta contra os homens. E, obviamente, não é isso.

Trama simpática

No entanto, é bem possível que Sophia vá além da simples caricatura. O texto deixou brechas para que a personagem, aos poucos, mostre que a pose de dondoca é apenas uma casca. E que ela, afinal, é a heroína da história. O bom desempenho de Camila Rodrigues também ajuda a fazer da mocinha alguém que desperta simpatia, apesar da aparente arrogância. Fica a torcida para que isso aconteça.

Mas, relevando a apresentação equivocada de Sophia, Topíssima mostrou algumas qualidades. Fridman é uma novelista experiente e entende a arquitetura do bom folhetim. Isso foi visto no primeiro capítulo da obra, que apresentou os principais personagens com eficiência e agilidade.

O elenco também é interessante. Felipe Cunha, o mocinho, é um rosto conhecido de outras tramas da Record, mas aparece aqui como destaque. Não decepcionou. Também é bom ver Cristiana Oliveira com uma boa personagem contemporânea. A perua Lara teve pouco espaço, mas mostrou potencial. Enquanto isso, Silvia Pfeifer surge (salvo engano, pela primeira vez numa novela) como uma mulher humilde, Mariinha. E é impressionante que, mesmo com figurino simples e sem maquiagem, ela ainda exala elegância.

Futuro das novelas da Record

Com Topíssima, a Record mostra que não perdeu a mão na produção de novelas contemporâneas. A história tem potencial e surge dando um respiro na teledramaturgia da casa. Afinal, é certo que o canal descobriu um nicho com suas novelas bíblicas, mas é certo também que elas começam a mostrar cansaço.

Sendo assim, Topíssima pode ser o produto que faltava para que a emissora mantenha seu segundo horário de novelas com boas produções. A estreia mostrou que é possível. Mais do que isso: é necessário.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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