Sophia Valverde, protagonista de As Aventuras de Poliana
Sophia Valverde, protagonista de As Aventuras de Poliana (Divulgação)

Neste dia 16 de maio, a novela do SBT, As Aventuras de Poliana, completa um ano de sua estreia no horário das 20h45min. Sophia Valverde interpreta a protagonista da história escrita por Iris Abravanel, baseada na obra de Eleanor H. Porter. Com ela, Thaís Melchior no papel de sua tia, Luísa. Nesta noite irá ao ar o capítulo de número 262. A exibição ocorre de segunda a sexta-feira, sendo que aos sábados a emissora coloca no ar um compacto da semana.

Caso nada mude no meio do caminho, o SBT pretende levar As Aventuras de Poliana aos 700 capítulos, ou mais. Isso quer dizer que ainda faltam hoje 88 capítulos para o que seria a metade da novela. Embora tenham ocorrido algumas oscilações na audiência nesses 12 meses, ela nunca deixou de alcançar dois dígitos. A novela é o programa mais visto da televisão brasileira fora da Rede Globo.

Após uma sequência de êxitos “reaproveitados”, a aposta numa história nova

Pendleton (Dalton Vigh) em As Aventuras de Poliana
Dalton Vigh é o Sr. Pendleton em As Aventuras de Poliana (Divulgação/SBT)

Uma história nova, ao menos, para a teledramaturgia do SBT, que desde 2012 vivia de versões nacionais de novelas infantojuvenis mexicanas anteriormente exibidas por aqui. Desde Carrossel (2012/13), todas as antecessoras de As Aventuras de Poliana já eram conhecidas do público da emissora. De tal forma que a aposta na obra de Porter foi não apenas uma surpresa, como um risco que Silvio Santos se dispôs a correr. E outra obra ainda “inédita” vem pela frente, O Patinho Feio.

Mas não virá tão cedo. As Aventuras de Poliana tem pelo menos outros 438 capítulos a serem exibidos. Entre polêmicas como uma visão controversa do racismo, o descontentamento do ator Nando Cunha e a ação de haters contra a atriz Thaís Melchior, que no capítulo 95 assumiu o papel de Luísa, tia de Poliana, anteriormente interpretado por Milena Toscano, a novela consegue manter a expectativa do público, e a atriz hoje leva a pensar que vive Tia Luísa desde a estreia da produção. Com efeito, sua dedicação à personagem e a fase “boazinha” que ela atravessa ajudaram nessa aceitação.

Os desafios para manter a história no ar por tanto tempo

Dona Branca (Lílian Blanc) e Poliana (Sophia Valverde) em As Aventuras de Poliana
Dona Branca (Lílian Blanc) e Poliana (Sophia Valverde) em As Aventuras de Poliana (Foto: Lourival Ribeiro/ SBT)

Iris Abravanel poderá, futura e eventualmente, contar com o romance Poliana Moça, que apresenta a personagem mais crescida e vivendo os dramas da adolescência. A Poliana da novela já não é uma garotinha inocente e indefesa como a Dulce Maria de Carinha de Anjo (2016/18), por exemplo. Pode ser uma alternativa para garantir o fôlego necessário a uma novela que, se cumprir a meta de 700 capítulos, vai se tornar a mais longa já apresentada na TV brasileira. Aliás, bastam 597, que já será um a mais do que o total da campeã Redenção, que teve 596 na TV Excelsior em 1966/68.

Além disso, os diversos personagens podem e devem gerar subtramas, que apoiem e enriqueçam a trama principal. Mesmo que haja alterações na própria história central, é fundamental que haja um eixo que guie todo o resto e não leve a novela a viver de episódios no enredo que se esvaem dando lugar a outros. Já que são tantos capítulos previstos, os alunos da Escola Ruth Goulart, por exemplo, vão crescendo e se desenvolvendo sem que se possa controlar isso. Logo, essa transformação do elenco pode ajudar a equipe de roteiristas a desenvolver entrechos para rechear tantas páginas de texto.

Vale a pena fazer novelas tão longas como As Aventuras de Poliana?

Mas fica a pergunta: vale a pena fazer novelas tão longas, sob pena de queda na audiência a ponto de não compensar mais manter o produto no ar? O segredo está no público ao qual essas novelas se destinam, o que possibilita também a existência de uma boa frente de texto e gravações em relação ao que vai ao ar. A quase impossibilidade de ter que alterar os rumos da novela muito prontamente em virtude de manifestações dos telespectadores faz com que a dramaturgia atual do SBT não se atenha a essa característica consagrada do gênero telenovela. As histórias “de criança” prendem o público por outros encantos que vão além da narrativa e dos personagens. A percepção da criança difere da do adulto, e aqui nenhum demérito. Logo, por ora fazer novelas longas assim parece compensar para o SBT. Todavia, vejamos até quando.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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