Casamento de Maria da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira) em A Dona do Pedaço
Casamento de Maria da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira) em A Dona do Pedaço (Foto: Divulgação/ Globo)

A estreia de A Dona do Pedaço, nova novela das nove da Globo, deixou uma coisa bem clara: a emissora não quer mais correr riscos. Depois de uma tentativa mal sucedida de sair do lugar-comum com a trama pretensamente mágica de O Sétimo Guardião, o canal agora aposta numa novela à prova de erros. O incansável Walcyr Carrasco ocupa todas as faixas de novelas da Globo emplacando seguidos sucessos. Deste modo, ele sabe a fórmula do sucesso. E não tem pudor em utilizá-la.

Assim, A Dona do Pedaço conta uma história já vista e revista, mas que sempre funciona. O mote inicial, desta vez, é um romance tipicamente shakespeariano, com um casal que se apaixona, mas suas famílias são rivais. Maria da Paz (Juliana Paes), com um nome nada sutil, se encanta por Amadeu (Marcos Palmeira). Mas os dois fazem parte de duas famílias de matadores de aluguel, rivais nos, digamos, “negócios”.

O primeiro capítulo de A Dona do Pedaço seguiu a tendência atual das estreias de novelas, apostando fundo nos protagonistas e sem perder tempo com um prólogo excessivamente arrastado. Maria da Paz começou a história criança, mas logo já surgiu crescida. Dulce (Fernanda Montenegro), sua avó, toca com mão de ferro a família de matadores, mas também usa a mesma mão para fazer bolos. É ela quem ensina à neta a fazer os quitutes. Enquanto isso, ela conhece Amadeu, se apaixona e logo coloca as famílias em guerra. E o final, claro, é trágico! Tudo isso num único episódio.

Embalagem arrojada

Ou seja, em A Dona do Pedaço, o autor Walcyr Carrasco não tem nenhuma intenção em reinventar a roda. Porém, a direção artística de Amora Mautner trouxe algum frescor ao texto pouco sutil do novelista. A diretora, conhecida pela sua ânsia em trazer novidades ao folhetim, apostou aqui num capítulo plasticamente perfeito. Paisagens exuberantes e ambientes realistas deram o tom da estreia.

Além disso, há uma clara harmonia na direção de atores, que os colocou no mesmo patamar. Juliana Paes e Marcos Palmeira lideram com muito vigor um elenco que, na estreia, contou com participações luxuosas de Nívea Maria, Jussara Freire e Fernanda Montenegro.

Texto didático e um tanto piegas

Porém, a novela não fugiu do estilo peculiar de Walcyr Carrasco, conhecido pela falta de sutileza e excesso de explicações em seus diálogos pouco inspirados. Frases como “o melhor bolo é feito com amor”, ou “todo mundo precisa de paz”, quando o mocinho conhece a mocinha, foram ouvidas.

Ressalta-se, ainda, a trilha sonora, também feita para emplacar na marra. “Evidências”, a queridinha da internet, embala as cenas românticas do casal principal. Enquanto isso, a bonita abertura é embalada pelo pagode grudento “Tá Escrito”. A canção remeteu à Dona Xepa, da Record TV.

Assim como receita de bolo, Carrasco seguiu direitinho sua receita de sucesso. É inegável que o autor sabe o que agrada ao público de novelas e não tem vergonha em usar todas as armas das quais dispõe. Por isso, A Dona do Pedaço tem tudo para ser mais um sucesso em sua galeria de sucessos. A conferir.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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