Cena da novela Jesus (Divulgação: Record TV)
Dudu Azevedo em cena da novela Jesus (Divulgação / Record TV)

Jesus teve seu último capítulo exibido hoje (22) fugindo do óbvio. Em vez de encerrar sua novela com a ressurreição do Messias (Dudu Azevedo), a autora Paula Richard optou por dar um salto no tempo e narrar, em tom de flashback, os apóstolos de Cristo dando sequência ao cristianismo. Foi um desfecho interessante para uma novela marcada por altos e baixos.

Jesus estreou com a boa promessa de mostrar um Messias mais “humano”, nas palavras da própria autora. Realmente, o texto da trama foi pontuado pela trajetória de um Jesus bastante acessível, com um tom mais naturalista. Espertamente, texto e direção fugiram o quanto puderam da tentação em dar ao protagonista um ar excessivamente divino. Deste modo, a novela trouxe um homem de carne e osso. Filho de Deus e dono de grande poder de mobilização. Mas, ainda assim, de carne e osso.

No entanto, tal proposta não encontrou ecos na atuação de Dudu Azevedo. O ator optou por dar a Jesus um tom etéreo, absurdamente contemplativo. O que é um erro, tendo em vista que tanto o texto de Paula Richard, quanto os próprios livros bíblicos deixavam claro que Jesus era um ser dotado de sentimentos diversos. Mas, na pele de Dudu, o Messias era apenas um ser calmo, que não se exaltava e com emoções um tanto apagadas. Faltou vigor para um personagem com o dom de mobilizar tanta gente.

Heróis contemplativos

Entretanto, trata-se de um erro comum nas novelas bíblicas da Record. Sabe-se lá por que, praticamente todos os protagonistas das tramas da emissora estão sempre com um olhar contemplativo.

Em Os Dez Mandamentos, por exemplo, Moisés (Guilherme Winter) começou a trama com o vigor de um herói. No entanto, após receber a missão divina, ele simplesmente se apaga. Dá a impressão de que a emissora confunde sabedoria e fé com apatia.

Evolução técnica

Mas Dudu Azevedo, mesmo equivocado na maior parte da trama, teve seus momentos. Na cena da crucificação, por exemplo, o ator conseguiu traduzir bem o sofrimento e a angústia do personagem-título. Há que se destacar, também, os trabalhos de Mayana Moura (Satanás), Day Mesquita (Maria Madalena) e Claudia Mauro (Maria), entre outros.

Além disso, a novela Jesus também foi marcada por uma clara evolução em termos de apuro técnico. A direção de Edgard Miranda mostrou-se mais criativa, buscando imprimir uma agilidade que não se viu nas tramas anteriores. Além disso, a fotografia esteve impecável, bem como a caracterização. Pela primeira vez numa novela da Record, os atores não pareciam “fantasiados”.

Assim, entre altos e baixos, o saldo de Jesus é positivo. A trama conseguiu elevar os índices de audiência da Record e dar sobrevida ao projeto bíblico da emissora.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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