Joana em sua moto
Joana em sua moto (Foto: Lourival Ribeiro/ Gabriel Cardoso - SBT)

A segunda temporada de A Garota da Moto estreou nesta quarta-feira (06) no SBT. Depois de quase três anos do fim da primeira temporada, a produção chamada de série chegou morna e pouco atrativa. A demora em trazer a sequência para o público que acompanhou a produção entre julho e agosto de 2016 fez com que se perdesse o fio da meada.

O SBT até tentou relembrar o telespectador, exibindo em formato de filme a primeira temporada de A Garota da Moto no Cine Espetacular. Mas nem isso foi suficiente. Até porque o público que acompanha a sessão de filmes e pode ter assistido não é o mesmo que viu a série. Assim a estratégia, apesar de coerente, não surte o efeito esperado.

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Essa foi a maior falha do SBT, a falta de planejamento e estratégia para construir o hábito do público em acompanhar uma série. Fator fundamental na fidelização do telespectador, que se torna fã do produto.

Mas vamos falar da estreia e da qualidade de A Garota da Moto

A série até tenta ser uma aventura, com ação e emoção, mas a baixa qualidade estética e visual da produção, além das atuações caricatas colocam tudo a perder. Em uma das primeiras cenas do primeiro episódio da segunda temporada o público acompanhou uma sequência de luta, pensei estar assistindo uma versão muito mal realizada de Jéssica Jones (perdoem a comparação).

Se a ideia era mostrar a adrenalina de uma cena de luta, sinto informar que não foi dessa vez. A série, apesar de ter uma temática adulta e o roteiro ter como mote a atividade e as aventuras de uma motogirl, passa longe de levar o telespectador em uma viagem pelos desafios dessa atividade profissional. Está mais para uma versão adulta de A Patrulha Salvadora.

Quem mora em São Paulo e outras grandes cidades sabe que ser motoboy ou girl é uma tarefa arriscada, cheia de perigos e aventuras. Mas só de olhar para a cara da personagem Joana (Christiana Ubach) toda essa realidade cai por terra. Ela é caricata, pouco natural e expressiva. Os colegas de elenco também não oferecem uma boa experiência ao público. A vilã Bernarda (Daniela Escobar), que na segunda temporada está presa, poderia se inspirar nas malvadas de Orange Is The New Black para compor sua personagem. Seria pedir demais? Talvez sim! Ela não bota medo em ninguém.

O núcleo cômico é bizarro

Pra quem gosta de assistir comédias que tentam, mas não tem graça, vai se divertir, mas pra geral, será uma decepção, ninguém consegue rir. Ou seja, uma sucessão de personagens mal representados. Mas de quem é a culpa, dos atores ou dos diretores que não extraem do elenco o seu melhor? Questiono isso porque A Garota da Moto tem bons nomes como Daniela Escobar e Adriana Lessa.

João Daniel Tikhomiroff assina a direção da série que tem roteiro de David França Mendes, Cláudio Felicio, Patrícia Lopes, Rodrigo Ferrari e Isabela Poppe. Um time reconhecido no mercado, mas o que acontece? Por que apresentam tantas falhas na produção do SBT e Mixer? São questionamentos difíceis de serem respondidos, mas ouso apostar que falta investimento, planejamento, estratégia, além de esmero na concepção da ideia!

Conclusão

De tudo isso, apesar da experiência ruim em assistir uma série tão mal feita, o que salva é a importância de se aumentar a produção nacional audiovisual, especialmente na TV aberta, reduto das telenovelas. Por isso mesmo, a gente esperava que A Garota da Moto fosse uma série, apesar dos 26 episódios pouco comuns nesse tipo de produção. Mas ainda sim, a expectativa é sempre instigante, mas ao assistir nos deparamos com uma novela, tal qual as infanto juvenis ou familiares que o SBT produz há anos. Não há diferença em absolutamente nada, nem mesmo a exibição, que é diária e não semanal, difere uma coisa da outra. Mesmo o texto, a estética, a fotografia, a edição, tudo remete as novelinhas.

Vamos acompanhar o decorrer dos episódios e tiraremos conclusões mais robustas ao final da série, mas ao julgar pela primeira temporada e pelo primeiro episódio da segunda, fica a decepção de ver uma ideia que tinha tudo para render uma boa história ser desperdiçada em um produto audiovisual tão pobre.

E volto a ressaltar que, A Garota da Moto pode e deve ser um relativo sucesso no SBT. Muito pelo resultado em audiência que a série vai herdar das novelinhas da emissora do que por qualquer outra coisa. O público que gosta das produções do canal de Silvio Santos certamente vai acompanhar. Mas quem gosta de séries de verdade, como as que podemos acompanhar na Netflix, HBO, Globoplay e outros, certamente não apreciará o folhetim erroneamente chamado de série.

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