João Marcelo Bôscoli, Leo Chaves, Xuxa Meneghel e Aline Wirley durante coletiva do The Four Brasil
João Marcelo Bôscoli, Leo Chaves, Xuxa Meneghel e Aline Wirley durante coletiva do The Four Brasil (Eduardo Martins / AGNEWS)

A Record TV adotou para sua linha de shows a produção de reality e talent shows, abusando da importação de formatos. Uma escolha questionável, mas que tem suas vantagens. No entanto, o canal anda precisando de mais cuidado na escolha das atrações que compra. The Four Brasil, que estreou na noite de ontem (06), mostra que a emissora tem optado por formatos que nada mais são que variações de programas já vistos e revistos por aqui. Em suma, mais do mesmo.

A produção do novo programa é impecável. O cenário grandioso e o jogo de luzes dão ao The Four Brasil uma embalagem de encher os olhos. Há ainda Xuxa Meneghel à frente, a estrela da casa em mais um programa extremamente bem estruturado. Além disso, há bons candidatos em cena. Embora a estreia tenha pecado pelo excesso de canções em inglês. Apenas uma música em português em meio a tantas apresentações soou um tanto estranho.

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No entanto, não há embalagem que mascare a boa e velha fórmula dos realities musicais. O formato já domina a programação da TV brasileira há quase 20 anos. The Four nada mais é que uma variação de Fama, Popstars, Ídolos, The Voice, Astros e tantos outros. A própria Record já aposta no segmento com Canta Comigo, que estreou no ano passado e terá nova temporada este ano.

Estão ali os jurados implacáveis, a “emoção” das batalhas, o barulho da plateia e as histórias de vida de cantores buscando a fama. Ou seja, o mesmo expediente de todos os demais programas. A novidade, aqui, é que os quatro “finalistas” já foram anunciados logo no início. Assim, os competidores tentam derrubá-los em batalhas. Mas, para chegar a esta fase, eles devem receber a aprovação dos três jurados. E só.

Formato não é garantia de sucesso

O grande desafio do The Four Brasil é se colocar, de fato, como um bom espaço para artistas em início de carreira ganharem projeção. Parece simples, mas não é. Afinal, dentre todos os realities no segmento já exibidos no Brasil, apenas o Popstars conseguiu fabricar um ídolo de fato, a banda Rouge. E vale lembrar que, na época de sua exibição, a atração não foi considerada um sucesso de audiência.

Fama, da Globo, tinha audiência razoável, mas seus vencedores, em sua maioria, sumiram sem deixar rastros. Enquanto isso, Ídolos teve temporadas exibidas no SBT e na Record, mas fazia sucesso apenas em sua fase inicial, quando explorava os jurados esculachando os candidatos bizarros. Depois da “peneira”, a audiência sempre caía. E seus vencedores, em sua maioria, também não se tornaram ídolos. Houve ainda outros programas que passaram em brancas nuvens, como o Superstar, da Globo, e o X Factor, da Band.

The Four x Canta Comigo

Em meio a tantos realities musicais, apenas o The Voice Brasil, da Globo, pode ser considerado um grande sucesso de audiência. Mesmo assim, até ele tem dificuldades em garantir sobrevida aos seus vencedores. Ou seja, apesar dos vários formatos exibidos na TV brasileira, foram poucos os que, de fato, se tornaram relevantes. Sendo assim, não se justifica a insistência dos canais abertos em continuar apostando neles.

Portanto, por mais que The Four tenha todo este verniz e pirotecnia, sua estreia já soou cansada. O que é uma pena. Se a Record prefere apostar em formatos importados, poderia variar a temática de suas escolhas e buscar algo diferente do que já produz. Não faz muito sentido manter estrelas do porte de Xuxa e Gugu Liberato à frente de programas que “concorrem” um com o outro.

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