Ana Maria Braga e Fabricio Battaglini no Mais Voce
Ana Maria Braga e Fabrício Battaglini no Mais Você (Reprodução/TV Globo)

Quando o jornalista Mariano Boni assumiu a direção dos programas de entretenimento diários da Globo, havia a expectativa de que tais atrações dariam mais espaço para o jornalismo. E é isso que vem acontecendo nos últimos dias. Com o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho (MG), os programas Mais Você, Bem Estar, Encontro e É de Casa, têm repercutido, em tempo real, os desdobramentos do caso.

Até aí, tudo bem. Hoje, a Globo tem uma grade com muitos programas ao vivo justamente para ter esta flexibilidade em exibir, em tempo real, acontecimentos importantes do Brasil e do mundo. No entanto, o canal ainda não está sabendo dosar sua cobertura do caso nos programas de entretenimento. Sobretudo nos programas de Ana Maria Braga e Mariana Ferrão, este assunto tem sido explorado à exaustão, mesmo sem trazer nada de novo ou relevante sobre ele.

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Na última semana, os matinais da Globo abriram espaço para entrevistas com testemunhas do acontecido. Foram muitos depoimentos de pessoas que perderam entes queridos, ou que sobreviveram ao ocorrido. Assim, os programas se tornaram verdadeiros festivais de lágrimas, ultrapassando a linha entre a informação e o sensacionalismo. Houve excessos.

“Humanização”

Em coberturas como esta, há sempre a preocupação em humanizar os fatos. Ao entrevistar testemunhas e vítimas, as reportagens ajudam o espectador a dimensionar o tamanho dos prejuízos de uma tragédia deste porte. No entanto, ao insistir neste tipo de material, a informação perde valor. Fica a exploração da desgraça alheia de forma gratuita, sem acrescentar nada de novo. Neste caso, houve excessos de choro e desespero. Mas não houve muito espaço para a apuração dos fatos, bem como qualquer investigação sobre quem seriam os responsáveis pela tragédia e a que punição estariam sujeitos.

A televisão aberta, de maneira geral, tende a apelar para o sensacionalismo neste tipo de cobertura. Mas trata-se de uma novidade na programação da Globo. Anteriormente, a emissora costumava dar um tratamento mais sóbrio a estes assuntos. Mas o canal tem mudado sua postura. E errou a mão. Apelar às lágrimas para abocanhar audiência não é uma boa ideia.

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