Loira do Banheiro, episódio da série Terrores Urbanos
Loira do Banheiro, episódio da série Terrores Urbanos (Divulgação/ Record TV)

Gênero pouco comum dentre as produções da televisão brasileira, o terror ganha uma nova e bem-vinda aposta na Record TV. No entanto, não será desta vez que o filão terá um produto que seja realmente marcante e um divisor de águas do gênero. Terrores Urbanos tem como único trunfo sua produção muito bem-feita. Mas o elenco irregular e a trama fraca colocam tudo a perder.

Ao menos foi essa a impressão passada pelo primeiro episódio, exibido ontem (02). A Loira do Banheiro contou uma versão da famosa história da assombração que costumava tocar o terror nos banheiros das escolas. O episódio chamou a atenção pela estética caprichada, digna de produções internacionais. Com direção de Fernando Coimbra, a série ostenta uma fotografia arrojada e takes inusitados, destoando das produções de teledramaturgia da Record (trata-se de uma produção da Sentimental Filmes).

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No entanto, a execução do episódio não fez jus ao capricho visual. A trama girou em torno de Bianca (Duda Balestero), que comemora o fato de ter sido eleita a oradora de sua turma da escola. Mas ela sofre de bulimia e passa muito tempo no banheiro, onde coisas sobrenaturais começam a acontecer. Ou seja, o roteiro tentou dar à famosa lenda um viés contemporâneo, acrescentando a bulimia como um mecanismo para que o sobrenatural se manifestasse. Mas os diálogos fracos e as situações sem sentido não deram conta de justificar o acontecido.

Assim, o que se viu foram situações aleatórias, que exploravam o que há de pior do clichê de terror. Tentativas de sustos forçadas e uma trilha sonora cansativa tentaram, em vão, imprimir alguma tensão. Para piorar, o elenco do episódio de estreia era muito irregular. Atuações fracas davam ainda menos credibilidade ao texto, que já não ajudava muito. Ou seja, o episódio não provocou medo e, ainda, teve momentos de humor involuntário. Falha grave para uma produção de terror.

Fugindo da mesmice

Entretanto, Terrores Urbanos deve ser festejada como uma experiência válida. Apesar de não ter conseguido alcançar o seu propósito, a produção, ao menos, foi uma tentativa de levar a teledramaturgia brasileira a um novo lugar. É importante que a TV aberta esteja disposta a sair do lugar-comum e buscar apostar em gêneros ainda não explorados em suas programações. Ainda mais na Record, conhecida pela sua dramaturgia quadrada e conservadora (tanto em estética quanto em conteúdo).

Aliás, a emissora deveria abrir mais espaço a este tipo de produção. Desde que passou a apostar em parcerias com produtoras independentes e exibir séries nacionais no início do ano, a Record exibiu boas produções. Séries como Conselho Tutelar e Sem Volta injetaram algum frescor à sua dramaturgia cansada. Terrores Urbanos, apesar das falhas, é mais uma tentativa neste sentido. Uma pena que a emissora só aposte em séries uma vez ao ano.

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