Uma entrevista fictícia gravada por Elis (Andrea Horta), a última antes de sua morte, é o fio condutor da minissérie.
A atriz Andrea Horta como a cantora Elis Regina (Divulgação/ TV Globo)

Para esta semana, a Rede Globo anuncia a exibição de duas minisséries originadas de filmes. Dos dias 8 a 11, serão transmitidas Elis – Viver É Melhor que Sonhar e 10 Segundos Para Vencer. São duas cinebiografias de figuras bastante conhecidas, a saber, a cantora Elis Regina e o pugilista Éder Jofre. Ambas possuem quatro capítulos.

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O expediente de exibir filmes em capítulos não é novo

Foi-se o tempo em que a Rede Globo produzia grandes “macrosséries” para ocupar a faixa das 23h nos primeiros meses do ano, com capítulos entrando no ar na sequência do reality show Big Brother Brasil. A última minissérie mais longa da Globo nesse início de ano foi exibida em 2008: Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral.

Ao longo de toda esta década, a TV Globo manteve a prática de exibir filmes nacionais em capítulos como minisséries. Cenas adicionais que justifiquem o expediente são devidamente inseridas. Os primeiros casos do gênero ocorreram em janeiro de 2011. Na ocasião, foram exibidos em capítulos os filmes O Bem-amado e Chico Xavier. Posteriormente, em geral no mês de janeiro, foram exibidas produções como Gonzaga – De Pai Pra Filho e Entre Irmãs.

Por um lado a ideia parece interessante, uma vez que amplia o universo exibido pelo cinema, tão limitado pela duração dos filmes. Por outro, faz com que as películas não tenham tanto público quanto poderiam ao ocuparem as salas de exibição. Afinal, quem vai se dispor a pagar por um ingresso raras vezes barato sabendo que poucos meses depois aquele mesmo filme será exibido na televisão? Ainda por cima com cenas a mais? Há casos como o de Chico Xavier, que teve cerca de 40 minutos inéditos quando apresentado como minissérie. Como há outros que não mostraram tanta diferença em relação ao já exibido no cinema. Além disso, se a questão é exaltar o cinema nacional, intenção mais do que válida, há para isso as sessões de filmes.

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Que alternativa há para substituir os filmes exibidos em capítulos?

Compreende-se perfeitamente a intenção da emissora se ocupar com a produção de títulos para o Globo Play, por exemplo. Mesmo a necessidade, até. No entanto, ao invés do cômodo caminho de verter filmes para o formato de minisséries, de certa forma apenas tapando buracos numa época que já foi de pouco apelo, por que então não exibir as produções do próprio Globo Play, como a elogiada Assédio? Ou mesmo, numa possibilidade aparentemente mais remota, retomar a produção de minisséries mais substanciosas, por assim dizer? Maria Adelaide Amaral mostrou-se craque no formato, com diversas histórias entre 2000 e 2008, especialmente. Lauro César Muniz fez a excelente Chiquinha Gonzaga (1999). Foram e são oportunidades para a TV Globo mostrar uma vez mais seu cantado e decantado aparato técnico e artístico. Especialmente se for necessária reconstituição de época.

Foi-se o tempo em que o início do ano podia ser destinado impunemente a reprises de programas exibidos no ano anterior (ou mesmo muito antes). Está aí o SBT com a recém-estreada reprise da minissérie Pássaros Feridos. Amargou o quarto lugar na audiência no início da noite de sábado e, por isso, não me deixa mentir. Bem como as emissoras não precisam recorrer a expedientes simples, como exibir filmes como minisséries. Elas podem mais e o público merece igualmente mais.

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