Uma entrevista fictícia gravada por Elis (Andrea Horta), a última antes de sua morte, é o fio condutor da minissérie.
A atriz Andrea Horta como a cantora Elis Regina (Divulgação/ TV Globo)

Já virou tradição na Globo aproveitar filmes lançados sob seu selo no formato de microsséries. Tanto que vários dos longas exibidos em quatro capítulos pelo canal já têm cenas extras rodadas exatamente com esta intenção. No entanto, em Elis – Viver É Melhor que Sonhar, exibida desde a última terça-feira (08), a emissora conseguiu azeitar a fórmula, ao incluir depoimentos e narrativas históricas em meio às cenas do filme lançado em 2016.

Na microssérie, a história de vida da cantora Elis Regina (Andreia Horta) é contada a partir de uma entrevista dada por ela. Em meio às falas reflexivas da artista, depoimentos reais da própria Elis dão sustentação à entrevista ficcional. O recurso também permite a inclusão de cenas que retratam a efervescência cultural do período histórico retratado, bem como a repressão do regime militar instalado, num tom documental. Por fim, nomes como Nelson Motta, Luiz Carlos Miele, Caetano Veloso e Roberto Carlos, entre outros, surgem em depoimentos gravados em diversas épocas.

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Ou seja, nesta versão para TV, na qual o autor George Moura se juntou aos roteiristas do longa Hugo Prata, Luiz Bolognesi e Vera Egito, Elis ganhou uma nova perspectiva. O viés de documentário impresso à obra, em meio às cenas do longa e, ainda, novas cenas rodadas para a série, deram substância à história. Com isso, a obra ficou mais rica e reflexiva, permitindo ao espectador não apenas conhecer mais sobre a vida fascinante de Elis, mas também sobre um importante capítulo da história da música e da cultura do país.

Andreia Horta

Neste contexto, é impossível não aplaudir a incrível performance da atriz Andreia Horta. Ela teve dois desafios: encarnar uma personagem emblemática do cenário musical brasileiro; e voltar a revisitá-la para gravar as novas cenas exclusivas para a série, que foram feitas anos depois do filme. E Andreia foi muito bem-sucedida em ambos.

A atriz conseguiu reproduzir trejeitos e maneirismos de Elis sem cair na imitação barata. Pelo contrário. Ela soa natural e muito humana. Como a série traz muitas entrevistas reais de Elis, a comparação poderia diminuir o trabalho da atriz. Mas isso não aconteceu. Na verdade, a contraposição entre a Elis “de verdade” e a ficcional apenas valorizou ainda mais o trabalho de Andreia Horta. Além disso, é impossível notar qualquer diferença no tom das cenas mais antigas com as mais recentes.

Assim, a versão para a TV do longa de Elis relevou-se como um case de sucesso nesta manobra de transformar filmes em minisséries. A emissora conseguiu proporcionar ao espectador que já viu o filme uma experiência diferente. O resultado de Elis devia servir como inspiração para as próximas produções neste sentido.

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