Daniel (Rafael Cardoso) de Espelho da Vida
Daniel (Rafael Cardoso) de Espelho da Vida (Divulgação/TV Globo)

No capítulo de ontem (17) de Espelho da Vida, Daniel (Rafael Cardoso) finalmente surgiu. Contemplando um quadro que foi pintado por Danilo (Rafael Cardoso), sua vida passada, o jovem chega ao “núcleo contemporâneo” da trama após quase cinco meses de novela no ar. Sem dúvidas, apresentar o mocinho da obra quase na reta final foi uma ousadia e tanto da novela das seis da Globo. Morna até aqui, a história de Elizabeth Jhin ganha uma chance de se recuperar.

A partir das constantes viagens no tempo de Cris (Vitória Strada), que revive sua vida passada como Júlia Castelo, a autora desenvolveu sua história de amor com Danilo. No entanto, a mocinha tinha um pé em cada época. Assim, enquanto Júlia vivia um amor proibido no passado, Cris não tinha um romance para chamar de seu no presente. Sua relação com o instável Alain (João Vicente de Castro) não despertava a torcida de ninguém.

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Sendo assim, embora a autora tenha reservado bonitas cenas no passado entre Júlia e Danilo, sempre ficava a impressão de que Espelho da Vida não tinha mocinho. Isso porque as cenas do passado, embora interessantes, soavam como longos flashbacks. E, nas cenas do presente, Cris não tinha um herói romântico ao seu lado.

Assim, há duas leituras sobre o romance principal de Espelho da Vida. É possível considerar que realmente a novela não tinha um mocinho até aqui, o que pode explicar sua baixa audiência. Mas é possível também apontar a ousadia de Elizabeth Jhin, que preferiu apostar num romance entre jovens de tempos diversos. Ou seja, a contemporânea Cris viveu um amor transcendental com Danilo, que vive em outra dimensão. Romances impossíveis costumam agradar em novelas das seis. Quer um romance mais impossível do que este?

Enigmas de Espelho da Vida

Assim, numa análise fria, Espelho da Vida é mais um folhetim rasgado exibido no horário das seis. Mas os números da trama mostram que parte do público do horário não comprou a novela. O que não chega a surpreender, se levarmos em consideração que uma mocinha que viaja no tempo gera situações que podem não ser compreendidas por um público tão diverso que assiste às tramas da faixa.

Isso sem falar nos inúmeros mistérios que Elizabeth Jhin vai propondo ao longo do enredo. Sem um mocinho no núcleo contemporâneo, a autora tratou de instigar o público a descobrir quem é ele nos dias de hoje, soltando vários enigmas. Inicialmente, parecia que ele era o filho perdido de Margot (Irene Ravache). Agora, sabe-se que, na verdade, Daniel é neto dela. Isso se não houver mais algum mistério escondido na manga aí. São mistérios interessantes, mas a autora não tem pressa em resolvê-los, o que acaba entediando a audiência.

Ou seja, Espelho da Vida tem suas qualidades. É uma novela que provoca seu público, levando-o a mergulhar nas situações do passado e do presente e traçar paralelos entre as épocas. Mas é preciso ter grande paciência para acompanhar tal desenrolar feito de maneira tão lenta. O chacoalhão que faltava pode ser, justamente, a chegada de Daniel. Quem sabe agora a trama não decola?

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