Fernanda Torres caracterizada como Renata (Foto: Globo/ Mauricio Fidalgo)

Sob Pressão, principal novidade no segmento de séries da Globo do ano passado, encerrou sua segunda temporada ontem (18) com muitos méritos. A atração, que faz um retrato realista do caos da saúde pública do país, deu um passo além na abordagem da temática ao explorar a corrupção no segmento. No entanto, apesar do tema dramático, a série conseguiu, em seu desfecho, injetar alguma esperança no espectador. E sem ser piegas ou idealista ao extremo, o que é mais difícil.

O longo episódio final mostrou o desmantelamento do esquema de corrupção implantado por Renata (Fernanda Torres) no hospital público onde a série se passa. Quando um paciente perde a perna em razão da falta de material básico na instituição, o jovem médico Henrique (Humberto Carrão) finalmente se dá conta do mal ao qual estava envolvido. Ele, então, resolve entregar Renata e o esquema. Inicialmente, é Evandro (Julio Andrade) quem acaba acusado, mas logo a chefe do hospital é pega.

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Antes de ser presa, Renata chega a ser vítima de um atentado, quando leva um tiro de um paciente prejudicado por ela. Ela é salva justamente por Evandro e sua equipe no hospital, e presa logo em seguida. No entanto, o hospital acaba fechado. O episódio é finalizado por uma reflexão de Evandro. “A esperança de ter uma saúde pública digna pra todo mundo ninguém vai tirar da gente. Nunca”, disse.

Otimismo

O roteiro de Sob Pressão foi muito feliz na abordagem da corrupção ao longo de toda a temporada. A série mostrou os diferentes tentáculos que levam às vantagens e negociatas, e o quanto o “dinheiro fácil” pode ser sedutor diante até do mais correto profissional. Além disso, deixou claro o quanto esta prática prejudica o serviço e, consequentemente, os pacientes.

Mas mostrou que, apesar das dificuldades, o combate à prática é possível e necessário. Evandro, Carolina (Marjorie Estiano) e seus colegas representam os bons profissionais que honram o ofício e o respeito à vida. A prisão de Renata e Henrique, então, foi um desfecho otimista. São os criminosos pagando por seus crimes. Mas, infelizmente, as práticas erradas têm consequências tristes. O fechamento do hospital deve ser o mote da próxima temporada da série.

Além da trama que atravessou a temporada, Sob Pressão também foi feliz no aprofundamento das questões individuais de seus personagens principais. O público seguiu cúmplice de Evandro e Carolina e seus dramas pessoais. A humanização dos personagens é que faz com que a série ganhe substância e cria um vínculo direto com o espectador.

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