Apresentador celebra data especial em sua carreira (Divulgação/SBT)
Silvio Santos (Divulgação)

Neste 12 de dezembro, Silvio Santos chega aos 88 anos. Chega a esta marca em meio a uma série de críticas a seu comportamento e ao modo como tem conduzido seu programa. Silvio Santos sempre foi assim, mas apenas na terceira idade tornou mais clara sua visão de mundo, especialmente das mulheres? Ou seria algo desculpável em virtude da idade avançada? Seja como for, há bastante tempo ele se consolidou como o mais importante apresentador – ou animador, como prefere – de auditório da TV brasileira.

Um grande exemplo de sucesso

Silvio Santos fez escola, como se diz. É o único remanescente ainda na ativa de uma época que nos rendeu Flávio Cavalcanti, Chacrinha e J. Silvestre, por exemplo. Influenciou em maior ou menor grau todos os que vieram depois dele à frente de auditórios. Mesmo que façam o exato oposto – justamente para se diferenciarem. Um misto de exaltação a méritos próprios, apelo emocional e individualização de aptidões, com farta distribuição de prêmios aos participantes, conduzido por uma figura carismática, vigorosa e sorridente. A fórmula do programa faz sucesso há mais de 50 anos.

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Desde os tempos em que alugava horários na TV Globo, até obter suas próprias emissoras – a TVS carioca e, depois, as “herdadas” da TV Tupi, que deram início ao SBT –, Silvio se mantém como figura de proa no cenário televisivo brasileiro. E o empresário eclipsado pelo animador tem nas mãos a empresa que só depois de mais de duas décadas teve seu posto de vice-líder roubado – no caso, pela Record TV. E conseguiu retomá-lo, numa disputa que favorece ora uma, ora outra, mês a mês, desde 2014.

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O mesmo Silvio Santos de sacadas geniais como a Casa dos Artistas, driblando a Globo, endossa figuras como Dudu Camargo. E à frente de um telejornal importante e que dura horas no ar, ao vivo. Dudu este, aliás, considerado por Silvio como um eventual namorado para a ainda menor Maísa, cria do SBT. Ela se colocou veementemente contra a investida de “cupido” do patrão. No que fez bem, diga-se.

Silvio Santos e Maisa Silva
Silvio Santos e Maísa Silva (Reprodução/Instagram)

Silvio fez o Show do Milhão e enfrenta a Globo de igual para igual aos domingos há décadas. É também aquele que, como dono de estação, investe em três horários de novelas infantis entre quatro possíveis hoje. Das três infantis, só uma é inédita. Silvio que abre mão de mais de 24 horas de programação para dedicá-las a uma transmissão em prol de pessoas com deficiência. E é o mesmo que relega o jornalismo à condição de mero noticiário, sem aprofundamentos nem opiniões. Ainda, embora nos últimos anos isso tenha sido deixado de lado, é famosa a “grade voadora” do SBT. Programas saindo do ar e entrando sem maiores avisos e horários modificados com frequência. Tudo ao sabor da concorrência e dos números de audiência. Isso na mesma emissora que tem tamanho apelo junto a um público mais popular, identificada com as classes mais baixas.

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A necessidade de reavaliação da postura de Silvio Santos na TV

Hoje o SBT é “a TV que tem torcida”. Boa parcela do público de TV em geral também torce, mas para que a emissora encontre rumos menos acomodados. Como já fez um dia. E também para que Silvio Santos dê mais ouvidos às filhas e a outros colaboradores. E modere, ainda que a contragosto, sua maneira de se expressar diante de convidados e do próprio público.

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Os mais velhos, que acompanham Silvio Santos desde jovens, podem se identificar e desculpar comentários mais ácidos e/ou menos discretos. Ocorre uma identificação de (pre) conceitos. No entanto, não é bom, nem mesmo justo até, que uma das figuras mais importantes da televisão tenha um final de vida conspurcado por uma visão negativa e repelente ante uma nova geração de espectadores.

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Uma geração de espectadores que cresceu fascinada com o Silvio do Topa Tudo por Dinheiro, do Show de Calouros ou do Domingo no Parque, mas que se alinha com demandas como igualdade de gênero, combate à misoginia etc., se desagrada e desencanta. E isso sem falar nas polêmicas recentes envolvendo a emissora e o cenário político do País, que rendem pano para mais mangas.

Sem perder a autenticidade, a espontaneidade que o carisma que lhe são tão caros, o Homem do Baú pode, sim, ser respeitoso e agradável.

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