Julia Castelo (Vitoria Strada) e Danilo (Rafael Cardoso) em Espelho da Vida
Julia Castelo (Vitoria Strada) e Danilo (Rafael Cardoso) em Espelho da Vida

Espelho da Vida, atual cartaz das seis da Globo, não deslanchou. Na semana passada, a história espírita de Elizabeth Jhin chegou a ficar atrás do Cidade Alerta, da RecordTV. Ou seja, a saga de Cris (Vitória Strada), que viaja no tempo para tentar descobrir quem a matou em sua vida passada, não teve o mesmo poder magnético de Além do Tempo, trama anterior da autora.

É bem possível afirmar que Espelho da Vida seria uma espécie de “evolução” de Além do Tempo. Na história de 2015, Elizabeth Jhin propôs uma narrativa que abordava duas encarnações de um mesmo grupo de almas. Assim, a história começava no século 19 e terminava nos tempos atuais, com cada ator vivendo duas vidas de uma mesma alma. Cada vida desta foi explorada em duas fases distintas. Ou seja, Além do Tempo foi uma novela “dois em um”, metade de época e metade contemporânea, com fases que dialogavam por conta dos carmas que os personagens carregavam de uma vida para outra.

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Já Espelho da Vida vinha com proposta semelhante. No entanto, ao contrário de Além do Tempo, a nova novela mostra as duas vidas dos personagens simultaneamente. Cris consegue viajar no tempo por meio de um espelho e se torna Julia Castelo, sua vida passada. Ali, ela revive sua encarnação anterior e descobre as vidas passadas das pessoas que convivem com ela nos dias de hoje. Deste modo, Espelho da Vida se coloca como uma novela contemporânea, mas com momentos “de época”.

Viagem no tempo se mostrou complicador

Ou seja, Espelho da Vida tem uma proposta bem interessante. Narrar duas vidas paralelamente é um passo ousado, que exige muita atenção de quem escreve e de quem assiste. Mas foi justamente esta ousadia que acabou pesando contra a novela. Mesmo com a premissa simples, a execução de Espelho da Vida se mostrou complexa.

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Isso porque é apenas Cris quem viaja quase todo dia no tempo, enquanto os demais personagens seguem suas vidas, tanto no passado quanto no presente. Deste modo, a mocinha fica com um pé em cada tempo, sem se mostrar envolvida totalmente em nenhum deles. Assim, Cris, por mais que seja a ponte entre as duas vidas, acabou se tornando uma personagem destoante da história que deveria protagonizar. O fato de ela ir e voltar todo o tempo a coloca praticamente numa novela à parte.

Espelho da Vida terá mudanças

Segundo o site Notícias da TV, a Globo já está promovendo mudanças em Espelho da Vida para tentar elevar a audiência da trama. Uma das ideias é prender Cris no passado e focar na narrativa da vida passada. Assim, em breve, a mocinha ficará presa ao passado e só retornará ao presente quando desvendar os mistérios sobre a morte de Julia Castelo. Com isso, as narrativas do passado e do presente serão divididas, e não mais simultâneas.

Sem dúvidas, a mudança servirá para corrigir este descolamento de Cris em suas duas vidas. Deste modo, a narrativa da trama ficará mais fluída e de fácil digestão. No entanto, há um efeito colateral: Espelho da Vida ficará parecida com Além do Tempo. Ao separar as duas vidas na linha do tempo, Elizabeth Jhin terá uma novela bastante semelhante à sua história anterior. Portanto, caberá à autora mostrar a habilidade que lhe é peculiar para dizer ao público que não está se repetindo. Um desafio, sem dúvidas.

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