Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda) em Orgulho e Paixão
Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda) em Orgulho e Paixão (Divulgação/ TV Globo)

O autor Marcos Bernstein foi muito feliz na concepção de Orgulho e Paixão, novela das seis da Globo que terminou ontem (24). Afinal, partindo do rico universo da autora inglesa Jane Austen, o novelista criou uma comédia romântica deliciosa, com bons tipos que movimentaram toda a história. Deste modo, Bernstein tinha em mãos um material riquíssimo, com o qual conseguiu tocar em temas polêmicos, sempre com graça e delicadeza. Assim, Orgulho e Paixão divertiu, ao mesmo tempo em que falou sobre feminismo e homossexualidade.

Ao misturar elementos de diversos romances de Jane Austen e situá-los no interior de São Paulo da década de 1910, Orgulho e Paixão ofereceu uma gama de possibilidades. Isso porque a novela utilizou o período histórico em que se passou como um pano de fundo, sem ser necessariamente fiel aos costumes da época. Assim, seus personagens “avançados” tinham atitudes modernas, mas sem provocar grandes espantos. Com isso, o texto da novela se permitiu ser didático, em razão do contexto temporal, mas fugiu do tom panfletário. O discurso era correto, mas fluído. E isso funcionou muito bem.

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Elisabeta (Nathalia Dill) era a indefectível mocinha à frente do seu tempo. Com ela e suas irmãs, Orgulho e Paixão tratou do feminismo e discutiu o papel da mulher na sociedade. Assim, Elisabeta tinha seus discursos, mas o didatismo fazia sentido dentro da proposta da obra, que se passava no início do século 20. Foi esta mescla entre o antigo e o contemporâneo que permitiu ao autor fugir do tatibitate. Além disso, o tom farsesco adotado pelos atores, dirigidos pelo experiente Fred Mayrink, suavizou diálogos que poderiam soar pesados.

Homossexualidade

Assim como falou sobre feminismo sem cair na panfletagem gratuita, Orgulho e Paixão tratou da descoberta da homossexualidade também de maneira eficiente. Sob a ótica de Luccino (Juliano Laham), o público pode ter acesso ao conflito interno de um homem que se descobre gay. A partir de suas dúvidas e anseios, criou-se uma cumplicidade entre a audiência e o personagem. E, mais uma vez, por conta do contexto histórico da novela, o assunto foi tratado com didatismo, mas na medida. O tema foi compreendido e bem assimilado pelo público, que torceu por um final feliz entre Luccino e o Capitão Otávio (Pedro Henrique Müller).

Orgulho e Paixão foi uma novela de personagens

Outra característica que serviu como trunfo da novela foi o fato de Orgulho e Paixão ter uma narrativa centrada em seus próprios personagens. O universo de Jane Austen serviu para que a novela tivesse uma galeria de bons tipos, que rendiam boas cenas mesmo quando não haviam grandes acontecimentos.

Neste contexto, destaca-se os personagens bem-humorados, como a vilã cômica Susana (Alessandra Negrini) e sua fiel escudeira Petúlia (Grace Gianoukas). A dupla divertiu horrores com suas armações que nunca davam certo. Outro tipo que caiu nas graças da audiência foi o rabugento Barão de Ouro Verde (Ary Fontoura), que foi tão adorado que ganhou sobrevida na história.

Além disso, Orgulho e Paixão contou cativantes histórias de amor. Casais como Julieta (Gabriela Duarte) e Aurélio (Marcelo Faria), Mariana (Chandelly Braz) e Brandão (Malvino Salvador), e Ema (Agatha Moreira)Ernesto (Rodrigo Simas), encantaram. Já Natália do Vale injetou ação na segunda metade da novela, com as vilanias de sua Lady Margareth. Mesmo sendo uma vilã caricata, a personagem teve uma importante função na obra, e a atriz esteve excelente em cena.

Ou seja, Orgulho e Paixão foi uma novela inteligente, que soube dosar bem a comicidade e o romantismo para narrar uma história muito bem contada. Sem dúvidas, um grande acerto do horário das seis.

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