Beto (Emilio Dantas) confronta Luzia (Giovanna Antonelli) sobre o assassinato de Remy (Vladimir Brichta
Beto (Emilio Dantas) confronta Luzia (Giovanna Antonelli) sobre o assassinato de Remy (Vladimir Brichta

Bola cantada desde o início da novela, a morte de Remy (Vladimir Brichta) foi ao ar na noite de ontem (10) em Segundo Sol. O bandido apareceu morto, esfaqueado, ao lado da mocinha Luzia (Giovanna Antonelli), instalando o mistério sobre a identidade de seu assassino. Com a manobra, o autor João Emanuel Carneiro, mais uma vez, faz uso do já batido “quem matou?” em suas histórias.

Convidar o público a bancar o detetive e desvendar o mistério em torno de uma morte já teve seu charme na teledramaturgia. Está aí Vale Tudo, no Viva, que imortalizou a pergunta “quem matou Odete Roitmann (Beatriz Segall)?”. A pergunta permeou apenas os capítulos finais da obra, mas o mistério se tornou tão antológico que qualquer desavisado pode supor que a novela era apenas sobre isso. Gilberto Braga, um dos autores de Vale Tudo, repetiu a estratégia em outras tramas suas, como Força de um Desejo, Celebridade, Paraíso Tropical e Insensato Coração.

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Entretanto, apostar num mistério em torno de um assassino oculto já não é garantia de sucesso há um bom tempo. O próprio João Emanuel Carneiro usou do expediente em Cobras & Lagartos, Avenida Brasil e A Regra do Jogo. Em nenhum dos casos, o mistério acrescentou algo significativo à história das novelas. Em Segundo Sol, parece, também não será o caso.

Remy fez e aconteceu em Segundo Sol

Como uma boa vítima de um assassino misterioso de novela que se preze, Remy aprontou muito em Segundo Sol. O irmão de Beto Falcão (Emílio Dantas) circulou por todos os núcleos e participou ativamente dos principais acontecimentos da história. Praticamente uma “máquina de chantagem”, ele passou por cima das vilãs Laureta (Adriana Esteves) e Karola (Deborah Secco), despertando o ódio de muita gente.

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Com isso, criou motivos para que praticamente qualquer personagem da história queira matá-lo. Além disso, gerou um novo conflito para a mocinha Luzia, acusada de ser a assassina. Ou seja, com o crime, o autor conseguiu gerar um novo acontecimento capaz de arrastar a novela até seus capítulos finais. Mas o fará abusando do “mais do mesmo”.

Luzia volta a ser fugitiva, como era até esses dias atrás em Segundo Sol. Enquanto isso, todos os demais personagens devem, em algum momento, agir como suspeitos. Trata-se, portanto, de um abuso de clichês folhetinescos que será colocado em prática para que a novela ande. Claramente, Segundo Sol não tinha história para tantos capítulos.

Remy morreu?

A única “novidade” neste contexto é a possibilidade de a morte de Remy ser falsa. Isso, ao menos, redimiria João Emanuel Carneiro das soluções óbvias que deu em suas novelas anteriores. Afinal, em Avenida Brasil, foi a própria vilã Carminha (Adriana Esteves) quem matou Max (Marcello Novaes). Já em A Regra do Jogo, Kiki (Deborah Evelyn) era a pessoa que mais tinha motivos para matar Gibson (José de Abreu). E foi ela mesma a assassina.

Sendo assim, caso Remy surja vivo, a história não surpreenderá tanto. E se morreu mesmo, é bem pouco provável que a identidade do assassino surpreenda. Ou seja, de um jeito ou de outro, este mistério não deve ajudar Segundo Sol a encontrar um rumo nesta reta final.

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