Tadeu Schmidt e Poliana Abritta no Fantástico
Tadeu Schmidt e Poliana Abritta no Fantástico (Divulgação)

Completando respeitáveis 45 anos, o Fantástico é um dos programas mais tradicionais da televisão brasileira. A atração, que lançou o conceito de “revista eletrônica” na TV aberta do Brasil, foi durante anos o porta-voz das novidades do mundo. No entanto, passou os últimos anos numa crise de identidade, tentando entender qual o seu novo papel numa sociedade mais conectada.

O maior exemplo de que o Fantástico vinha buscando se recolocar foi a grande reformulação pelo qual passou em 2014. Anunciado como o “novo” Fantástico, o programa adotou uma fórmula que buscava ser mais “moderna” e “interativa”. Mas a aposta se revelou equivocada: humor bobo, um robô inútil, efeitos irritantes na tela e muita conversa jogada fora caracterizaram esta fase esquecível. Não deu certo e o programa logo retomou sua fórmula clássica.

Saiba mais: Fantástico: o “Show da Vida” completa 45 anos no ar nos domingos da Globo


Fórmula, aliás, que o consagrou desde sua estreia. Fantástico nasceu com a proposta de reunir tudo o que a Globo produzia. Ou seja, um “apanhadão” de jornalismo, entretenimento e dramaturgia, tudo “modernosamente” embalado. Entretanto, sua relevância na TV se deu em razão das grandes reportagens, sobretudo as voltadas à ciência e tecnologia. O Fantástico mostrava, em primeira mão, os avanços e as transformações do mundo.

Os lançamentos do Fantástico

Além dos assuntos mais urgentes do mundo, o Fantástico se tornou um espaço para lançamentos. Como sempre houve espaço para música na pauta variada do programa, muitos artistas lançavam novidades de suas carreiras no “show da vida”. Numa era “pré-MTV”, era o Fantástico que exibia (e produzia) clipes em primeira mão. Por estas e outras, a revista se tornou líder de audiência.

Mas, ao chegar aos anos 2000, o Fantástico perdeu terreno nas noites de domingo. Antes líder absoluto, o programa passou a dividir a plateia dominical com vários outros concorrentes. Claro, a mudança está ligada à própria concorrência, pois surgiram muitas novidades no horário. O sempre forte Programa Silvio Santos, a “cópia” Domingo Espetacular e a novidade Pânico na TV, entre outros, fizeram o Fantástico perder fôlego. Mas a queda também estava ligada à própria evolução tecnológica. A popularização da internet tirou do Fantástico o posto de porta-voz das novidades. Veio uma crise de identidade bem séria.

Bom momento

Esta crise abriu espaço para a reformulação infundada acontecida em 2014. A mudança, no entanto, revelou-se cosmética e ineficaz. Veio, então, a retomada. Fantástico voltou às origens, investiu em jornalismo de qualidade e passou a priorizar assuntos relevantes, sem perder o entretenimento de vista.

Atualmente comandado por Poliana Abritta e Tadeu Schmidt, o Fantástico vive uma boa fase. Apostando em matérias mais aprofundadas acerca dos assuntos da semana, a atração se reencontrou. Além disso, voltou a abrir espaço para as novidades da música, mas, desta vez, em shows acústicos realizados no próprio estúdio da atração. Ou seja, Fantástico resgatou seus elementos clássicos e os readaptou aos tempos de hoje. E o resultado tem sido muito bom.

Leia também: Bom Dia & Cia chega aos 25 anos em boa fase

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor coloque seu nome aqui