Catarina (Bruna Marquezine) e Amália (Marina Ruy Barbosa), em Deus Salve o Rei, da Globo
Catarina (Bruna Marquezine) e Amália (Marina Ruy Barbosa), em Deus Salve o Rei, da Globo (Divulgação/Globo)

Considerada fraca e sem propósito, Deus Salve o Rei vem encontrando um caminho interessante nesta reta final. A trama de Daniel Adjafre ganhou o “auxílio” do experiente Ricardo Linhares e, desde então, passou por algumas reformulações no intuito de deixar a história mais envolvente. E, ao que tudo indica, as mudanças foram positivas. Deus Salve o Rei parecia completamente sem rumo, mas, atualmente, finalmente conseguiu alcançar o fio da meada da história que se pretendia contar.

O núcleo principal sofreu uma injeção de ânimo desde que Afonso (Rômulo Estrela), o protagonista, finalmente assumiu as rédeas da história. O príncipe passou boa parte da novela renegando o trono em razão de seu amor pela camponesa Amália (Marina Ruy Barbosa), o que o deixou sem ter muito o que fazer na trama. Agora, ele está à frente da luta pelo trono, algo que ele devia ter feito desde o começo. A mudança de rota permitiu com que seu protagonismo fosse justificado.

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Além disso, o folhetim ganhou fôlego com a formação de um triângulo amoroso formado por Amália, Afonso e Catarina (Bruna Marquezine). A grande vilã da história nunca pareceu ser capaz de se apaixonar, mas seu atual interesse pelo príncipe faz com que o casal principal da história finalmente tenha conflito. Amália, no geral, foi uma heroína que pouco fez no andamento da saga, mas, agora, tem uma história para chamar de sua. E a rivalidade entre a princesa e a “plebeia” remete aos contos de fada. Ou seja, os contornos de folhetim ficaram mais evidentes.

Por fim, Deus Salve o Rei finalmente encontrou um ponto de diálogo com a contemporaneidade, justificando a época em que é situada, mas conversando com os dias de hoje. Ao evidenciar as bruxas, o autor valorizou um típico elemento de histórias medievais, e as colocou como uma ponte para se falar dos problemas da atualidade. No caso, a “caça às bruxas” vista recentemente permitiu diálogos sobre tolerância, diversidade e posicionamento político. Com isso, a novela ficou encorpada e mais inteligente.

Infelizmente, Deus Salve o Rei encontrou um rumo apenas na reta final. A novela das sete, que poderia ter ficado marcada por ser uma nova experiência no horário, será lembrada como uma trama apática. O que é uma pena. No fim, ficou parecendo que desperdiçaram uma boa ideia. Ao menos, conseguiu entrar nos eixos na reta final, coisa que várias “novelas-problema” da Globo não conseguiram.

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