Gabriela (Camila Morgado) em Malhação: Vidas Brasileiras
Gabriela (Camila Morgado) em Malhação: Vidas Brasileiras (Divulgação/ TV Globo)

Estreia da Globo na tarde de ontem (07), Malhação: Vidas Brasileiras tem a espinhosa missão de substituir Viva a Diferença, a melhor temporada da novela adolescente em anos. E, assim como a temporada anterior, Vidas Brasileiras apresenta algumas mudanças no formato, deixando claro que a Globo já trata a faixa com o mesmo cuidado dos demais horários de novela, buscando diversificar histórias e estéticas. E isso, por si só, é bom.

A grande novidade vista na estreia de Vidas Brasileiras é o protagonismo da história que, pela primeira vez, caberá não a um casal adolescente (ou cinco amigas adolescentes, como na trama anterior), e sim à professora. Gabriela (Camila Morgado) é uma dedicada profissional da educação que comanda uma sala de aula lotada de jovens cheios de vida da escola Sapiência. O primeiro capítulo explorou sua vida pessoal, mostrando sua família, e também sua vontade de ajudar as pessoas, seja oferecendo apoio aos alunos, seja tentando promover a transformação social pela educação. Por isso, está disposta a trocar o emprego na Sapiência por um trabalho numa ONG. No final do capítulo, ela se emocionou com uma homenagem de seus alunos, que imploram para que Gabriela permaneça no colégio.

Ou seja, Gabriela é mostrada como uma professora do bem, amiga dos alunos e disposta a fazer a diferença na sociedade em que vive. Uma personagem que beira o idealismo. E que remete, de imediato, à antológica professora Helena, a grande protagonista da novela infantil mexicana Carrossel. Vivida por Gabriela Rivera na versão da Televisa, e por Rosane Mulholland na versão brasileira produzida pelo SBT, a professora também era um ser idealista, que acreditava num futuro melhor e que participava ativamente da vida de seus alunos.

A atual Malhação é inspirada em 30 Vies, uma série canadense, e tem a proposta de revezar o protagonismo entre os adolescentes que compõem a sala de aula de Gabriela. Ou seja, a cada duas semanas, um dos jovens terá sua história aprofundada, e será ajudado pela professora. O formato também é bem parecido com Carrossel. Mas, claro, Vidas Brasileiras discutirá conflitos típicos juvenis, o que a diferenciará de Carrossel. Mas não deixa de ser curiosa esta estrutura semelhante.

A proposta é boa e pode render. Entretanto, a autora Patrícia Moretzohn deve tomar cuidado na concepção de Gabriela, já que a personagem, tão do bem, anda no limiar entre o heroísmo e a chatice. Não chegou a incomodar no primeiro capítulo, muito por causa do carisma de Camila Morgado, que imprimiu credibilidade à personagem. Na torcida para que continue assim.

BBB: narrativa de folhetim é o segredo do sucesso do reality

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.