Felipe (Gabriel Calamari) e Gabriel (Luís Galves) são vítimas de homofobia em Malhação: Viva a Diferença
Felipe (Gabriel Calamari) e Gabriel (Luís Galves) são vítimas de homofobia em Malhação: Viva a Diferença (divulgação)

Enquanto às 21 horas na Globo, os personagens homossexuais surgem em tramas de pura chacota e humor grosseiro, às 17 horas o tema ganha status mais sério e responsável. E, quem diria, justamente em Malhação, antes um tanto superficial no trato de temas mais polêmicos. Malhação: Viva a Diferença tem falado sobre homossexualidade entre adolescentes com muita propriedade e responsabilidade e, neste momento, faz uma excelente abordagem da homofobia.

O capítulo de ontem (08) de Malhação terminou com uma cena tensa e muito triste. Gabriel (Luís Galves), homossexual assumido, apanha de seus “colegas” de escola na rua, momentos depois de fazer um discurso sobre sua condição. Além dele, também apanhou Felipe (Gabriel Calamari), que não é homossexual, mas é amigo de Gabriel e, por isso, também sofre preconceito dos colegas.

Trata-se de uma abordagem feliz em vários sentidos. Primeiro, porque mostra ser perfeitamente possível a amizade entre homossexuais e heterossexuais. Felipe simpatizou com Gabriel de cara, por conta de suas várias afinidades, e nunca se importou com o fato de o amigo ser gay, bancando esta amizade com muita segurança. Numa temporada chamada de Viva a Diferença, o texto de Cao Hamburger procura sempre deixar claro que todos são diferentes, e é justamente o convívio entre estas diferenças que dá sentido à vida e às relações humanas.


E, neste momento em que esta trama chega ao ápice, quando Gabriel e Felipe são vítimas de violência física, Malhação: Viva a Diferença deixa claro que a homofobia afeta a todos, independentemente de sua condição sexual. Gabriel apanhou unicamente por ser gay; e Felipe apanhou unicamente porque é amigo dele. Ou seja, a luta contra a homofobia deveria ser uma luta de todos.

Entrando na reta final, Malhação: Viva a Diferença coloca-se, em definitivo, como uma das melhores temporadas da novela adolescente da Globo de todos os tempos. O texto corajoso, sensível, realista e humano de Cao Hamburger se uniu à direção certeira de Paulo Silvestrini e a um elenco de jovens e veteranos extremamente eficiente. Vai deixar saudades.

Corte no programa de Geraldo Luís mostra falta de planejamento da Record

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor coloque seu nome aqui