Edu Sterblich e Marcelo Adnet dão selinho no primeiro episódio da nova temporada do Tá no Ar (Divulgação/Globo)
Edu Sterblich e Marcelo Adnet dão selinho no primeiro episódio da nova temporada do Tá no Ar (Reprodução/Globo)

Chegando à sua quarta temporada, Tá no Ar: A TV na TV retornou ontem (23) ainda mais afiado. E mais: vem assumindo, cada vez mais, seu lado engajado. A atração ancorada por Marcelo Adnet e Marcius Melhem, caracterizada pela velocidade com que as piadas desfilam diante do público, agora se permite, também, momentos menos cômicos e mais reflexivos.

Reflexivo o Tá no Ar sempre foi. Desde sua estreia, a atração tem como norte uma crítica social ferrenha, incrustada nas sátiras ao universo da televisão. No entanto, na nova temporada, esta reflexão deu um passo além, já que aparece, também, em momentos sem tanta graça e que pegam o espectador na emoção do choque de realidade. Foi assim no esquete “Bala Perdida”, que mostrou Adnet cantando uma canção numa escola infantil, enquanto crianças corriam do som de um tiroteio, e causou mais incômodo do que riso, por exemplo.

E é esta característica que faz o Tá no Ar um programa necessário. Mesmo não rendendo grande audiência, o humorístico sempre surge como uma injeção de criatividade, ironia, sarcasmo e, principalmente, engajamento às causas mais urgentes, e que estão na ordem do dia. Isso pode ser visto em esquetes como “Brasil, um País de Poucos”, que expôs as diferenças sociais do país; já “Amazon Sale” denunciou a destruição da Amazônia; por fim, “Eu Sou Bi” defendeu a liberdade sexual. Para quem acha que o tal “politicamente correto” matou o humor, o Tá no Ar mostra que não. Na verdade, o que o programa faz é mirar o canhão para um outro lado, saindo do lugar comum.

E para quem é fã de televisão, Tá no Ar é sempre um prato cheio. A atração satiriza e faz graça da programação da Globo e até da concorrência, e faz isso cada vez melhor. A estreia contou até com uma edição do Encontro com Fátima Bernardes, com uma divertida contribuição do índio Obirajara Dominique. O impagável Jorge Bevilacqua, apresentador do Jardim Urgente, apareceu em cena oferecendo seu mais novo empreendimento, nada menos que uma empresa aérea. Na mira do Tá no Ar apareceu ainda Susana Vieira que, segundo um jornal mostrado, tem um ego que pode ser visto da Lua; ou ainda uma “popular” nas ruas afirmando, categoricamente, que os atores da Globo se acham mais importantes que os da Record.

Tá no Ar: A TV na TV voltou com musculatura. Nestes tempos um tanto estranhos, é sempre louvável quando um programa de televisão assume uma posição e se engaja nela.

Em pré-estreia, Big Brother Brasil tenta surpreender

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

Últimos vídeos do Canal no YouTube