Carolina Dieckmann e Selton Mello em Treze Dias Longe do Sol
Carolina Dieckmann e Selton Mello em Treze Dias Longe do Sol (Divulgação)

Passados dois capítulos de Treze Dias Longe do Sol, nova minissérie da Globo (isto é, para quem optou por assistir na TV, ao invés de maratonar na Globo Play), já é possível observar os erros e acertos da nova aposta da emissora. Com produção caprichada, bom elenco e um enredo que foge do óbvio folhetim, a atração chama a atenção.

Na série, Saulo (Selton Mello), engenheiro responsável pela construção de um centro médico, está angustiado com o atraso na entrega da obra, e chega a pedir que os operários cubram rachaduras que teimam em surgir. É o sinal de que o prédio está prestes a ruir. E cai mesmo, justamente quando Saulo acompanha Marion (Carolina Dieckmann), filha do dono do centro e com quem já se relacionou no passado, numa vistoria. Eles, e mais um grupo de pessoas, ficam presos no subsolo do prédio em ruínas.

A narrativa, então, se divide entre o grupo de pessoas soterradas, e nas consequências da queda do prédio àqueles que estão diretamente responsáveis pela obra, como  Vítor Baretti (Paulo Vilhena), o dono da empreiteira, e Gilda (Débora Bloch), diretora da construtora, e o Dr. Rupp (Lima Duarte), pai de Marion, além de mostrar também o resgate liderado pelo major Marco Antonio (Fabrício Boliveira). Começa então jogos de “empurra”, de especulações e da busca por culpados, enquanto os soterrados começam a buscar maneiras de sair da prisão onde se encontram.

Os autores Elena Soárez e Luciano Moura têm um excelente argumento em mãos. A trama mescla intrigas pessoais e empresariais, enfocando nas relações humanas e suas surpresas em momentos extremos, incluindo aí a luta pela sobrevivência. Com ganchos poderosos e situações bem armadas, o texto consegue um efeito de suspense bastante efetivo, o que garante o interesse do público. Resvala um pouco no didatismo, faltando um pouco de sutileza no desencadeamento das situações, mas nada que comprometa.

O curioso é que Treze Dias Longe do Sol está disponível desde novembro de 2016 na Globo Play, com todos os seus episódios abertos para os assinantes. E, ao ver no ar, fica mesmo a impressão de que todo o roteiro da obra foi pensado para os espectadores “tipo Netflix”, que adoram maratonar, já que os ganchos são um convite para que se anseie pelo próximo episódio. Ou seja, Treze Dias Longe do Sol mostra que a Globo já pensa em seus produtos não apenas como produtos televisivos, e sim produções que apresentem efetividade em todas as telas.

Deus Salve o Rei chama a atenção pela qualidade do texto e da produção

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