Clichês e excesso de vilões prejudicam O Outro Lado do Paraíso

Sophia (Marieta Severo) e Gael (Sergio Guize) de O Outro Lado do Paraiso
Sophia (Marieta Severo) e Gael (Sergio Guizé) de O Outro Lado do Paraíso (Divulgação/TV Globo)

Há pouco mais de uma semana no ar, já é possível observar que “o outro lado do paraíso” é mesmo um lado bem obscuro. Afinal, a trama de Walcyr Carrasco, neste primeiro momento, vem apostando pesado na maldade dos vilões, que são muitos e atiram para todos os lados. O Outro Lado do Paraíso vem carecendo de algum alívio ao espectador, já que o obriga a ficar tenso do início ao fim.

Pra começar, a família de vilões-mor não economiza maldades. Gael (Sérgio Guizé), um dos protagonistas, é um sujeito inconstante e, ao mesmo tempo em que parece amar a esposa Clara (Bianca Bin), a maltrata sempre que é contrariado, muitas vezes manipulado pela mãe, a perversa Sophia (Marieta Severo). O casamento mal começou e Gael já estuprou e espancou a mulher. Tenso.

Já Sophia arma para tirar de Clara sua fortuna, daí estar sempre presente incentivando o filho com suas maldades. Além disso, também maltrata a filha com nanismo, Estela (Juliana Caldas), utilizando frases duras e cheias de ofensas. Ela é da mesma família de Nathanael (Juca de Oliveira), que faz de tudo para prejudicar a nora Elizabeth (Gloria Pires).


Além destes, ainda há vários outros “malvados”: Samuel (Eriberto Leão) é mimado pela mãe (Ana Lucia Torre), que também não parece ser flor que se cheire, e não é nem um pouco delicado com a namorada Suzana (Ellen Roche), já que se relaciona com ela para esconder sua homossexualidade; o delegado Vinícius (Flávio Tolezani) é um belo de um corrupto; a dondoca Nádia (Eliane Giardini) é uma típica mãe machista, e maltrata a empregada Raquel (Érika Januza); entre outros.

Fora as maldades, O Outro Lado do Paraíso também sofre com o excesso de clichês. Suas histórias centrais giram em torno de duas “muletas” já tão exploradas no horário nobre nos últimos anos. A história de Clara é a típica história da heroína vingativa, que aparece quase na frequência de “novela sim, novela não”, na faixa das 21 horas. E a de Elizabeth também já foi vista inúmeras vezes: ela forjará a própria morte e mudará de identidade. Se juntar estas duas histórias centrais, já remetemos à A Lei do Amor, com a mal ajambrada saga de Isabela/Marina (Alice Wegmann).

Walcyr Carrasco é um autor que costuma oferecer ao seu público o que ele deseja. O Outro Lado do Paraíso é uma novela com todas as condições de ser mais um de seus sucessos. Mas alguns ajustes iniciais se fazem necessários.

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