Os Trapalhões e A Cara do Pai: domingo é um bom dia para dramaturgia infantil

A Cara do Pai estreia nas tardes de domingo da Globo
A Cara do Pai (Divulgação)

No último domingo (08), a Globo lançou a segunda temporada da série A Cara do Pai, protagonizada por Leandro Hassum e Mel Maia. A produção se junta à Os Trapalhões, série em homenagem ao histórico humorístico de Renato Aragão e companhia, mais uma atração do pacote Viva/Globo que revisita clássicos da programação. A dobradinha se saiu muito bem: Os Trapalhões marcou 13,5 pontos no Ibope, enquanto A Cara do Pai cravou 15 pontos, resultado superior à estreia da primeira leva, em dezembro de 2016.

Trata-se de uma boa dobradinha que a emissora lançou nas tardes de domingo. As duas produções têm forte apelo infanto-juvenil, mas acabam dialogando com a família inteira, com um tipo de humor capaz de divertir crianças e adultos. Assim, caem como uma luva ao público de sua faixa de exibição, normalmente um horário em que as famílias assistem TV reunidas.

Sendo assim, fica bastante evidente que o início das tardes de domingo é ideal para atrações de apelo infanto-juvenil. Não que isso seja uma novidade para a Globo, que já dedicou o horário para exibição de séries e desenhos enlatados, na década de 1990, e também à A Turma do Didi e Sandy & Jr, no final do século 20, e, mais recentemente, à Os Caras de Pau.


Num momento em que o canal não mais aposta em programas infantis, seria uma boa uma faixa aos finais de semana dedicada a produtos familiares que possam dialogar com a criança. Afinal, enquanto a Rede Globo ignora a pequena plateia, seu braço infantil Gloob vem exibindo uma série de boas produções nacionais de dramaturgia infantil, como DPA – Detetives do Prédio Azul, Buuu – Um Chamado para a Aventura e, mais recentemente, Valentins.

Com o know-how e estrutura de sobra para dramaturgia infantil, com certeza a Globo teria total condições de fazer um seriado infantil de qualidade, que muito agregaria à sua programação dominical. Seria uma boa maneira de voltar a investir em infantis que, afinal, vão garantir a formação de sua futura audiência. O SBT já descobriu que dramaturgia infantil dá retorno. A Globo, expert em dramaturgia, estranhamente não se dedica ao filão.

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