Tá no Ar: A TV na TV estreia quarta temporada ainda mais inspirado

Tá no Ar: A TV na TV vem se superando a cada temporada (Reprodução)
Tá no Ar: A TV na TV vem se superando a cada temporada (Reprodução)

O humorístico Tá no Ar: A TV na TV já integra aquele seleto grupo de programas que consegue melhorar a cada nova temporada. O episódio de estreia do quarto ano da atração mostrou que Marcelo Adnet, Marcius Melhem e companhia estão cada vez melhores na função de transformar o efeito zapping numa divertida e esperta paródia do cotidiano nacional. Seja emulando programas conhecidos, parodiando comerciais, ou simplesmente exercitando o melhor do besteirol, Tá no Ar segue como o melhor programa de humor da televisão brasileira na atualidade.

No atual contexto político nacional, o que não faltam são assuntos que podem ser tratados de maneira crítica, irônica e, ao mesmo tempo, engraçada, no programa. Isso pode ser visto nesta estreia com a chamada do filme “A Dama da Delação”, atração do “canal Brasília”, cujo logo no canto da tela fazia alusão ao canal Brasil e seu catálogo de chanchadas nacionais. No enredo, muita sacanagem, ou seja, esquema de corrupção, tudo sendo gravado por uma moça, digamos, “saliente”. Ótima sacada! Outro esquete divertido parodiava o comercial de um supermercado do Rio de Janeiro, onde um animado garoto-propaganda anunciava demissões em massa num momento de crise. E a atração colocou o dedo na ferida de maneira contundente ao parodiar o comercial do Banco do Brasil, com o slogan “Branco no Brasil: há mais de 500 anos levando vantagem”. Bingo!

Tá no Ar atira para todos os lados e não perdoa grupo nenhum, como foi visto no esquete “Crentes”, uma brincadeira com o seriado Friends, mas formado por um grupo de religiosos. “Crentes” surgiu no ano passado, com uma paródia da canção-tema do seriado que entoava versos como “paga o dízimo… 10% para o pastor”. Agora, ganhou um “episódio” completo no programa. No canal ao lado, Silvio Santos segue com seus “greatest hits” e canta sua própria versão de “Bem que se Quis”,  cuja letra comemorava o fato de ele ter dito “Jequiti” na Globo sem ser notado. Quebras de tabus assim, citando o nome de concorrentes, marcas e piadas com religião, já não novidades, afinal Tá no Ar já está em seu quarto ano usando deste expediente. No entanto, o efeito de tais “molecagens” segue eficiente.


Outra qualidade do Tá no Ar é saber manter quadros fixos sem cansar. Estão de volta sucessos como o “Jardim Urgente”, sempre denunciando conflitos provocados por crianças (e o indefectível “foca em mim!”, besteirol que parece não perder a validade), ou o militante, personagem de Marcelo Adnet que repete as mais variadas teorias da conspiração contra “a réde Glóbo de televisão”. Este último poderia cair no cansaço, afinal a Globo satirizando a si mesma já não é novidade na atual programação, mas o programa acertou ao diminuir o número de aparições do personagem durante o episódio, e tornando o texto dele cada vez mais non sense. Novidade da última temporada, o Te Prendi na TV, paródia de programas de João Kleber, segue no ar, desta vez tentando descobrir “quem é a celebridade oculta”. “Será o Celso Portiolli?”, perguntou o apresentador à sua animada plateia.

Como se não bastasse todo este repertório, o programa ainda surfa na ótima ideia do seu formato. Afinal, o hábito de trocar de canal compulsivamente ainda é cultivado pelos telespectadores mais “tradicionais”, e o Tá no Ar brinca com isso como ninguém. Além de ser um hábito reconhecível, confere a agilidade dos esquetes, sendo que alguns duram poucos segundos, dando um ritmo único ao programa.

Se continuar tão inspirado assim, Tá no Ar: A TV na TV terá vida longa na “réde” Globo de Televisão. Sorte a nossa!

PS: todo o elenco de Tá no Ar é ótimo, mas Luana Martau e Renata Gaspar são mesmo dois achados. Espetaculares!