Segundo episódio de Justiça impressiona com atuação emocionante de Adriana Esteves

Fátima (Adriana Esteves) chora ao ser presa injustamente na série Justiça
Fátima (Adriana Esteves)

“Pode não ter justiça na terra, mas tem no céu” – Fátima Libéria do Nascimento.

No primeiro episódio de Justiça, o público conheceu Fátima (Adriana Esteves), em uma rápida cena onde ela, na condição de empregada doméstica de Elisa (Deborah Bloch), pede para ir embora mais cedo para buscar os filhos, já que o marido Waldir (Angelo Antonio), motorista de ônibus da empresa Boa Viagem Transportes pode ficar preso meio à confusão. Fátima, é a protagonista das terças-feiras.

A cidade ainda é Recife, a data continua sendo junho de 2009, mas o cenário de Justiça agora é outro, um bairro da periferia da cidade abriga o enredo de Fátima, que se inicia na festa de aniversário da filha Mayara (Letícia Braga). Todo o clima é bem simples, retratando a realidade de uma família humilde meio a uma festa. A chegada de novos vizinhos, assusta os convidados da festa devido a entrada repentina de um cachorro. Pode parecer bobo que todo o enredo seja desenrolado em torno da figura de um animal de estimação e uma desavença entre vizinhos, algo tão comum, mas a série tenta retratar de forma natural que justamente o cachorro era o ponto de discordância das duas casas.


Douglas (Enrique Diaz) não entende que o animal que ele tanto ama e trata tal qual um filho pode ser considerado um perigo para a família que vive do outro lado do muro, e realmente é, mas o dono é alheio a tudo isso, e entre inclusive em atrito com a recém esposa Kellen (Leandra Leal), pois ela não acha correto que o bicho tenha tamanha liberdade.

O que chama atenção no segundo episódio de Justiça é o texto informal, que de forma crua usa uma linguagem popular, e comum no dia a dia, com uso de palavrões, e até mesmo expressões. O nível de realidade nas cenas foi impressionante, com todos os atores sem exceção brilhando na tela, inclusive o elenco infantil. Tudo ali parecia um retrato não retocado do dia a dia, desde a falta de maquiagem, figurino, e até mesmo a trilha sonora que diferente do primeiro episódio aqui serviu como casamento perfeito dos personagens com o universo do qual fazem parte.

Fátima como uma leoa, quis apenas proteger os filhos temendo que o descontrolado cão do vizinho lhes fizessem mal e fez o que possivelmente qualquer mãe faria ao ver sua cria em perigo. O desejo de proteção foi maior do que qualquer vislumbre das consequências. E Douglas se vingou colocando drogas na casa da personagem, já que ela tirou dele seu melhor amigo, de quatro patas. Retratado como policial, a série pareceu usar o personagem, seu modo de vida, e até mesmo seu jeito de agir para realmente gerar asco no telespectador, e faz refletir, afinal até onde é válida a tal fé pública que os policiais têm. Sete anos depois, após cumprir pena por um crime que não cometeu, o que restou de Fátima foi a vontade de refazer sua vida, e reencontrar seus filhos, mas tudo o que lhe resta agora é uma realidade do lado de fora da cadeia, num mundo que ela não reconhece mais, numa casa que ela não reconhece mais, e lidar com a ausência de seus filhos. A única coisa que remonta à ela seu passado em liberdade, é a presença daquele que ela menos deseja ver, Douglas, seu ainda vizinho que zomba dela pelos anos detida.

Com as histórias se cruzando em Justiça, vimos novamente as cenas de intercessão entre Fátima e Elisa, citada no início deste texto, e a cena de Vicente (Jesuíta Barbosa) e Euclydes (Luiz Carlos Vasconcelos) ao chegar na empresa e descobrir sua falência. Ainda foi possível ver Waldir dirigir o ônibus onde estavam Debora (Luisa Arraes) e Rose (Jessica Ellen), protagonistas do episódio de quinta-feira.

Observação: Os objetos estão retratando perfeitamente a época, onde tanto os carros em cena, como celulares mostram o passado recente de 2009. Assim como aconteceu em algumas produções recentes, tal qual a vida real, as cenas possuem personagens falando ao mesmo tempo sobrepondo os diálogos.