Malhação – Pro Dia Nascer Feliz repete fórmula consagrada e faz estreia promissora

Aline Dias e Deborah Secco nas gravações de Malhação - Pro Dia Nascer Feliz
Aline Dias e Deborah Secco nas gravações de Malhação - Pro Dia Nascer Feliz

A televisão, assim como o mundo, dá voltas. Há cerca de dois anos, Deborah Secco deixava o elenco de Boogie Oogie, na qual vivia a aeromoça Inês, para se preparar para Verdades Secretas, trama das onze em que viveria Carolina, mãe da protagonista Angel (Camila Queiroz). Deborah estava empolgada com o trabalho, pois surgiria como uma jovem mãe de uma adolescente, algo novo em sua já longa carreira na TV. No entanto, a atriz se descobriu grávida logo que começou a gravar as primeiras cenas do folhetim de Walcyr Carrasco e acabou se afastando da produção, sendo substituída por Drica Moraes (que acabou realizando um de seus melhores trabalhos na TV).

Se não vimos Deborah Secco se casando com Rodrigo Lombardi e se matando ao descobrir que ele tinha um caso com sua própria filha, agora temos a chance de vê-la como mãe de adolescentes em Malhação – Pro Dia Nascer Feliz. E, a julgar pelos primeiros capítulos, a atriz convence como Tânia, mulher humilde que é mãe dos jovens Luíza (Bárbara Maia) e Fabio (Caio Manhente). Logo no começo da trama, Tânia consegue uma vaga como recepcionista da Academia Forma, que pertence ao ex-jogador de vôlei Ricardo (Marcos Pasquim). Os dois acabaram de se conhecer, mas já deu pra notar que algum interesse romântico há de surgir ali. Mais do que isso: Caio (Thiago Fragoso), cunhado e ex-parceiro de vôlei de Ricardo, também já deu as caras por ali e percebe-se um triângulo amoroso prestes a surgir.

Ou seja, Malhação – Pro Dia Nascer Feliz não esconde que, como sempre, virá bastante calcada no folhetim tradicional. Mas, claro, a história narrada acima é a do elenco adulto, ou seja, trata-se de uma trama secundária, já que em “Malhação”, os protagonistas são os jovens. Sendo assim, na trama principal temos Joana (Aline Dias), jovem humilde que trabalha num parque aquático do Ceará. Ela tem problemas com o padrasto violento, o que a levará, em breve, para o Rio de Janeiro. E a moça já se apaixonou pelo jogador de vôlei Gabriel (Felipe Roque), mas ele namora a patricinha Bárbara (Barbara França). Eis que o triângulo amoroso jovem se forma, e “Malhação” volta ao formato que já repetiu por tantas e tantas vezes: dois adolescentes apaixonados sendo constantemente atrapalhados por uma megerinha.


Fórmula esta, aliás, consagrada pelo autor Emanuel Jacobina, que assina a atual temporada e também foi o responsável pelos primeiros anos da fase “Múltipla Escolha” (entre outras), que fez de “Malhação” um grande sucesso. Por isso mesmo, é interessante comparar as fases antigas com a atual, e perceber a evolução estética da trama adolescente. Embora ainda calcada nas idas e vindas de um romance tradicional, “Malhação” vem, cada vez mais, expandindo o seu universo. Antes, tudo se passava em menos cenários e os coadjuvantes mal tinham família. Hoje, a direção artística de “Malhação” (assinada por Leonardo Nogueira) já trabalha com uma fotografia mais realista, posições de câmera mais ousadas e cenários mais variados e convincentes. Além disso, o fato de a atual temporada retomar a academia como cenário principal dá até um certo ar de novidade à coisa. Afinal, já se passaram quase 20 anos desde que a trama deixou a academia que lhe dava nome. É um ambiente que pode agregar muitas possibilidades ao enredo.

Malhação – Pro Dia Nascer Feliz traz alguns bons elementos ao enredo clássico, como o fato de a mocinha da trama, pela primeira vez, ser negra e de origem humilde. Uma boa chance de falar sobre racismo aos adolescentes. Agenor (Jackson Antunes), o padrasto violento de Joana, traz mais substância à história, dando a chance de se discutir a violência familiar e doméstica. Na torcida pra que estes temas sejam tratados de maneira responsável, já que algumas discussões levantadas por “Seu Lugar no Mundo”, a temporada anterior (como a Aids entre os jovens, por exemplo), mais confundiram que explicaram e acabaram ficando pelo caminho. No mais, esta nova fase estreou com uma cara bem mais convidativa que a anterior, e tem tudo para servir como um bom “esquenta” para a aguardada temporada seguinte, que terá a assinatura de Cao Hamburguer e se passará na cidade de São Paulo. Promete!

Capa do livro Tele-Visão - A Televisão Brasileira em 10 AnosAndré Santana é autor do livro “Tele-Visão: A Televisão Brasileira em 10 Anos”, uma publicação da Editora E. B. Ações Culturais, impressa e distribuída pelo site Clube de Autores, e está à venda em versão impressa e e-book, apenas pela internet. É possível adquiri-lo clicando AQUI .