Boa estreia do X Factor Brasil é o grande acerto da Band em 2016

Jurados na bancada do X Factor Brasil
Jurados na bancada do X Factor Brasil (Divulgação)

O tão aguardado X Factor Brasil finalmente chegou à tela da Band nessa noite de segunda, 29 de agosto. O programa, do original The X Factor, foi criado em 2004 por Simon Cowell na Inglaterra e veio para o Brasil em 2016 provocando todo o tipo de sentimento no público.

Tive a princípio desconfiança, afinal a Band não se preocupa em oferecer ao público uma programação com opções de entretenimento, e se apoiou no Masterchef como muleta para a não cair de vez no nicho esportivo. E mesmo sendo a menina dos olhos da emissora o reality ainda consegue derrapar em qualidade com um número enorme de episódios, duração exagerada, edições mal construídas dentre outros elementos que afastam o público. O X Factor mantem um formato que exige bem mais da parte estrutural, por isso a desconfiança se a Band conseguiria transformar o que vemos na edição britânica, exibida pelo Sony (produzido pela emissora britânica iTV) em realidade no Brasil.

Logo vieram as primeiras notícias sobre o descaso da produção do programa com os candidatos na audição em São Paulo. Horas em fila sob o sol, poucos banheiros químicos foram alguns dos relatos. Agora, com o programa tendo estreado surgem mais reclamações, dessa vez de participantes que relatam estarem sendo forçados a mudar repertório, e a fingir que são de outros estados para gerar identificação com o público desses locais.


Diferente de realities como The Voice, e Ídolos, o X Factor Brasil visa não somente a voz, e a competência vocal do participante e sim o pacote completo para se tornar uma estrela. Exageros são todos bem-vindos no programa, que preza pelo espetáculo visual e o encantamento que um candidato pode gerar no telespectador.

O programa será dividido em: Audições (quando os candidatos cantam pelo “Sim” dos 4 jurados), Centro de Treinamento (Na versão britânica é chamado de Bootcamp – onde os candidatos selecionados nas audições se apresentam novamente gerando mais afunilamento nos candidatos), depois dessa etapa os candidatos passam a ir para o Desafio das 6 Cadeiras (No britânico 6 Chair Chalenge, onde cada jurado pode escolher apenas 6 candidatos para integrar seu time, eliminando o restante), tendo 24 candidatos no total, existe então a fase dos Shows Ao Vivo (onde os competidores fazem um verdadeiro show com efeitos especiais, cenário e  figurino, e são salvos ou eliminados pelo público através de votação).

Um detalhe: Na versão britânica existe uma etapa chamada Judge’s House – Onde o jurado leva o seu time para sua casa para novamente escolher os seus melhores.

Sobre os Jurados: Através de votação interna, cada um será responsável por uma categoria – Meninas (de 16 a 24 anos), Meninos (de 16 a 24 anos), Adultos (Acima de 25), e Grupos.

Em termos de cenário, iluminação a versão nacional em nada fica a dever para a versão britânica, gravada no teatro de um colégio com capacidade para 1000 lugares.A edição com VT’s pautados pelo exagero assim como nas versões estrangeiras, tratou de apresentar cada um dos jurados (Rick Bonadio, Paulo Miklos, Aline Rosa, e Di Ferrero), e todo o processo antes do início das audições.

Luan Lacerda – Trem das Onze
Fez uma pequena mudança na letra da música. Por ser o primeiro candidato arrancou lágrimas dos candidatos, sobretudo Aline Rosa e Di Ferrero. É um bom candidato com uma back story comovente do rapaz do interior que tem o sonho de fazer história cantando. Um enredo comum mas que enche os olhos do público, afinal é com sonhos que os realities de competição musical lidam.

Killer – Something’s Got a Hold On Me
Victoria, como disse que era seu nome artístico anterior não tem uma voz marcante. Canta bem, e tentou compensar o vocal com a apresentação performática. Mesmo ela tendo ganhado 3 “Sim”, não creio que ela consiga ir muito além das primeiras fases.

Raphael Le Barge – Bang Bang
Uma música que não combinou com a voz do rapaz, e a tentativa desajeitada levaram à todas as negativas que ele levou.

Grupo Slow – I Want It That Way
O grupo de meninos não teve presença de palco, a harmonia dos meninos juntos não funciona. Existia ali no meio dos quatro, algum que tinha realmente uma boa voz mas o conjunto foi tão sofrível quanto a pronúncia do inglês deles. A expectativa que o Rick tinha em relação aos meninos era claramente a tentativa de formar uma boyband comercial, com meninos jovens e bonitos. A escolha da música ruim, deu a eles após suplicas a chance que eles cantassem à capela, funcionou, mas não creio que eles possam ir adiante.

Carol Sampaio – I Put a Spell On You
Chamou a atenção dos jurados, a escolha da música foi extremamente audaciosa, apostando numa música difícil. A voz de Carol é boa, ela canta bem, e claro, pode melhorar muito, mas não acredito que se pressionada a fazer algo com uma super produção, ela

Jéssica Passos – Eu Preciso Dizer Que Eu Te Amo
A moça praticamente criou um personagem para subir ao palco tem sotaque baiano, apesar de afirmar ser do Rio de Janeiro (talvez seja mais um daqueles casos de imposição da emissora citado acima). Carismática, com uma voz doce, de olhos fechados ela dominou cada pedaço do palco, tirou o sapato mas por não ter técnica vocal, levou 4 “não” dos jurados.

Tamires Alves – Listen
Chegou nervosa ao palco, e os jurados acreditaram que ela cantaria mal uma música da Beyoncé, de quem é fã. Apesar de ter desafinado em poucos trechos, foi ovacionada pela platéia, e tem um potencial enorme de continuar na competição, e até mesmo ganhar uma back story para gerar maior identificação com o público.

Melody Vocal
Formado por 8 pessoas, o grupo gospel de backing vocals foi a coisa mais chata e ao mesmo tempo a mais engraçada dessa première. A música parecia nunca terminar, e isso foi percebido na expressão cansada dos jurados que pareciam esperar cada segundo para que a tortura vocal se acabasse.

Alessandro Maia – Cê Que Sabe
Sertanejos sempre ganham back story em programas de calouros nacionais. Com Alessandro não foi diferente. A edição privilegiou a história de vida do rapaz, e ele tem tudo para agradar comercialmente pois canta bem, tem experiência no palco apesar da idade, e bonito como o mercado fonográfico gosta, e Rick enxergou isso.

Abel Fonseca
A voz do rapaz chamou atenção, embora precisasse desenvolver melhor como foi notado pelos jurados. O que me intrigou foi um cantor lírico num programa que busca uma estrela pop comercial.

Sweet Dreamers – Drag Me Down
Girlbands foram e continuam sendo sucesso mundo afora, como Little Mix e devido a isso elas ganharam back story, e no palco o choque perceptível. As duas garotas não funcionam juntas, e os jurados propuseram das duas se separarem gerando o primeiro momento de tensão do programa. Espero que as duas se separem pois May, tem uma voz pontente, e porte para ir longe na competição.

A Band conseguiu fazer um programa interessante e soube usar o tempo a seu favor, pois se durasse um pouco mais ficaria maçante, e ainda usou um gancho para segurar o telespectador para o episódio seguinte.  Fernanda Paes Leme pareceu bem à vontade na apresentação, embora só vamos conseguir comprovar a desenvoltura da moça na fase ao vivo do programa. A presença do comediante Maurício Meireles é completamente dispensável, já que o papel de deixar os candidatos à vontade deveria ser de Fernanda, mas as aparições do rapaz ainda podem render um certo alívio cômico no futuro. O nível dos candidatos no geral, pelo que foi apresentado nesse primeiro episódio está baixo. Tomara que o programa continue entretendo e chamando atenção pelos seus aspectos positivos renovando o gênero dos shows de calouros no Brasil.