Com altos e baixos, A Regra do Jogo chega ao final com saldo positivo

A Regra do Jogo Crítica
Logomarca da novela A Regra do Jogo. Reprodução: Rede Globo

A Regra do Jogo começou bem em sua estreia há sete meses, no dia 31 de agosto de 2015, parecia ser a novela que recuperaria a audiência da Globo no horário, não apenas pela história que prometia trazer, cheia de intrigas, duelos, vilânia, romance, mas também pela expectativa que se criou em torno do autor João Emanuel Carneiro, responsável pelo enorme sucesso de Avenida Brasil. Mas bastou alguns capítulos iniciais para o público se afugentar e a crítica começar a apontar falhas e descontentamentos com a trama.

Capítulo final de A Regra do Jogo ultrapasa os 40 pontos de audiência

Os capítulos foram seguindo e a audiência foi caindo, a concorrência aproveitou o momento e com os Dez Mandamentos da Record em seu auge, o que se vislumbrava era que A Regra do Jogo tinha tudo para ser a pior novela do horário na história da Globo. Depois de uma barriga enorme (período em que a novela fica enrolando e nada acontece), algumas mudanças foram realizadas no rumo da história, que começou a engrenar e atrair novamente o público.


No geral, A Regra do Jogo de fato entregou menos do que prometeu. Depois do capítulo 100, com a virada da trama, ficou um pouco inverossímil, mas teve um final digno e diferenciado, que alavancou os índices de audiência no horário.

Como já era previsto, Alexandre Nero e Giovanna Antonelli roubaram a cena como Romero e Atena e juntos com Ascânio, (Tonico Pereira) formaram o trio que sustentou a trama. A dupla de bandidos agradou muito mais do que o casalzinho sem graça Tóia (Vanessa Giácomo) e Juliano (Cauã Reymond). A mocinha, que prometia ser a salvadora da história, não passou de uma chorona, sem atitude, patética e irritante. Ao lado do não menos panaca Juliano, que passou a novela inteira se saber a que veio.

Zé Maria, personagem de Tony Ramos, conseguiu enganar o público, em momentos parecia um mocinho anti-herói, mas se revelou o bandido da história, cruel e sanguinário. Tony deu show mais uma vez e com seu primeiro vilão de fato em mais de 50 anos de carreira, mostrou porque é o melhor ator brasileiro na atualidade.

José de Abreu e Deborah Evelyn começaram de maneira tímida e dominaram a segunda metade da novela. Ele, o “Pai” da facção, Gibson, e ela, como Kiki, a filha sequestrada pelo próprio pai, que mata o progenitor.

Susana Vieira também deu conta do recado como Adisabeba e mais uma vez, apesar de sua personagem não ter grande importância na novela, conseguiu se destacar com sua força, uma espécie de figuração de luxo no folhetim. Djanira (Cássia Kiss), que ficou pouco tempo na novela, também arrasou e emocionou o público em sua morte trágica.

O núcleo menos útil em A Regra do Jogo foi o cômico, com a família de Feliciano (Marcos Caruso). Sem graça e repetitivo, os muitos atores enfiados dentro de um apartamento em nada acrescentaram com seu inúmeros momentos de café da manhã. almoço e jantar. Mas não podemos esquecer das subtramas confusas, que pouco acrescentaram ao longo da novela. A apoteose disso foi o romance entre Domingas (Maeve Jenkins) e César (Carmo Dalla Vecchia). Alguém conseguiu entender aquilo?

O que dizer de Dante (Marco Pigossi), o policial mais tapado da história, o último a saber de tudo, estúpido e idiota, ma ofensa aos profissionais da área, virou motivo de piada entre o público e a mídia.

João Emanuel Carneiro mudava as cartas e surpreendia a cada capítulo, que pela primeira vez na TV brasileira, ganhou um nome diferente, como já acontece com os episódios de séries. Quem não acompanhou do início ao fim, se perdeu em meio a tantas mudanças de time dos personagens. Bons atores com personagens complexos e dúbios nas mãos, fizeram a festa do público.

Um pelo outro, não se pode dizer que A Regra do Jogo tenha sido uma novela ruim. Foi como andar de montanha russa e parar de cabeça pra baixo no meio do caminho. Talvez tenha sido uma promessa ruim, já que muita expectativa acaba resultando em frustração. Mas termina com saldo positivo e pelo menos não entrará para história como o maior fiasco da teledramaturgia global.