Novela: o ópio do povo

Sete Vidas

Em alguns países o ópio do povo continua sendo o bom futebol e a boa novela, se bem que nem sempre o jogo é bom e nem a novela é boa, e o Brasil não está fora disso, muitos choram, vibram, se emocionam e até ficam sem dormir por causa de uma boa partida de futebol ou um bom capítulo de uma novela. E em algumas, como em muitos filmes, o coadjuvante pode roubar a cena, e é o que acontece na novela Sete Vidas, em que dois personagens coadjuvantes, quando aparecem, chamam toda a atenção para si – Laila e Eriberto.

Laila Sete Vidas

Laila, é filha de uma lésbica que precisou usar um banco de sêmen para ser mãe, tem um irmão gêmeo e é considerada a “porra lôca” da história, pois é a personagem mais verdadeira, realista, que fala o que sente sem se preocupar com o que o outro vai achar, seu lema é ser real, e ser real num mundo irreal é bem difícil. Um grande ganho para Laila é a atriz que a representa,


Maria Eduarda de Carvalho, uma atriz cheia de nuances, com grande facilidade em nos apaixonarmos por ela. Eriberto, um senhor de seus quase cinquenta anos, filho de uma família tradicional, vive para cuidar do pai e é um grande amante das artes, tudo para ele exala cultura, casou-se com uma mulher que só pensa em si e não tem nenhuma consideração para com esse casamento e nem com a pessoa de Eriberto. Ele se torna amigo de um homem e por causa da arte que os unem, ficam cada vez mais íntimos, intimidade essa que começa a mexer com seu coração. Eriberto parece uma criança, onde não existe a malícia, só um coração puro, elegante, refinado e educado. Laila adora Eriberto, e através de uma conversa “realista e verdadeira” indica que ele não é feliz. Eriberto se separa da esposa. Eriberto é interpretado por Fábio Herford, um ator que visita as três vertentes de atuação, teatro, cinema e tv, sempre atuando de forma delicada, suave e sem os exageros de alguns amigos de mesma arte.

Eriberto Sete Vidas

A novela é considerada uma arte menor, mas até os detratores têm de confirmar que não é fácil escrever 40, 50 páginas por dia, e às vezes, aparecem uns personagens interessantes, como esses dois, que poderiam muito bem ser personagens de um filme sendo ricamente desenvolvidos, até mesmo protagonistas de uma grande história. Parabéns para a autora que conseguiu fazer dois personagens fascinantes, onde tudo que representam é puro, verdadeiro e cheio de vida. E viva o ópio do povo, se bem que o futebol… Deixa pra lá.

Por Vavá Pereira
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