Show especial não representou a grandeza dos 50 anos da TV Globo


Contar 50 anos de muitas histórias em 1h30 não foi tarefa fácil para a equipe que organizou especial em comemoração ao cinquentenário da TV Globo. Novelas, jornalismo, esporte, infantis, humor, shows, tudo, ou quase tudo, foi lembrado no último sábado (25), no show realizado no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. O evento contou a presença de astros e estrelas da emissora, além de atletas e uma plateia repleta de convidados, que assistiram no palco e no mega telão instalado no local, apresentações musicais e teatrais que mostraram como a Rede Globo começou em 1965 e se tornou a TV líder de audiência e faturamento no Brasil, a segunda maior emissora de televisão do mundo, atrás apenas da ABC, dos EUA.

Dirigido por LP Simonetti, o show tentou contar os 50 anos de existência da TV Globo. De forma sintetizada, o show reuniu alguns pontos principais da história da emissora, mesclando situações cênicas no palco, com imagens referências no telão e ainda muita música. Muitos dirão que faltou isso, ou aquilo no espetáculo, mas de maneira nenhuma seria possível colocar em um show de 90 minutos, cinco décadas de intensa produção televisiva.

Olhando pelo lado que o show se propôs a homenagear os produtos da TV Globo, considero que o especial cumpriu seu objetivo. Dramaturgia, telejornalismo, linha de shows, esporte, programas infantis e de humor foram representados, ainda que resumidamente.


O espetáculo apresentou uma sequência de esquetes, que valorizou aquilo que o diretor do show e a Globo julgou principal em seus 50 anos. Os milhões de telespectadores brasileiros, com certeza se perguntaram por que não lembraram aquele personagem inesquecível, aquela novela de sucesso, aquele programa que marcou época, enfim, inúmeras produções ficaram de fora. Mas por outro lado, muitas surpresas foram apresentadas.

Xuxa, que saiu da Globo e foi para a Record, depois de 29 anos, foi lembrada e com destaque nos telões. Nem mesmo a apresentadora esperava ser reverenciada na festa dos 50 anos da Globo. Silvio Santos, que foi dono dos domingos globais, por cerca de 10 anos, entre os anos 1965 e 75 e há 34 anos é concorrente, também foi lembrado e não era para menos. Silvio Santos foi um grande financiador da Globo, em seu início, com seu programa dominical não só garantia audiência, mas também alto faturamento.

O show evocou grandes nomes e atrações como Chacrinha, Os Trapalhões, Roque Santeiro, Pecado Capital, O Astro, TV Colosso, Galvão Bueno e suas inesquecíveis narrações, Fantástico, Jornal Nacional entre outros. Tudo isso regado a muita música com cantores e bandas como Anitta, Roupa Nova, Carlinhos Brown, Gaby Amarantos, Latino, Thiaguinho, Michel Teló, Seu Jorge, Joelma, banda Malta, Gustavo Lima e claro, o Rei, Roberto Carlos.

Fátima Bernardes e Pedro Bial foram os narradores e tentaram contribuir com a contextualização das histórias mostradas, mas foram subutilizados, pouco falaram e quando falaram nada acrescentaram, totalmente dispensáveis. O papel de ambos se limitou, basicamente, a anunciar os nomes que apareciam no palco, e o estilo de narração lembrou bastante o adotado nos desfiles de carnaval.

O show lembrou bastante o estilo do Criança Esperança, com uma pitada de Show da Virada. Nada novo, inclusive o público percebeu isso e se manifestou nas redes sociais. Mas de maneira geral o espetáculo entreteu e agradou o telespectador saudosista, que não só relembrou atrações da Globo, como assistiu a apresentação de cantores de sucesso na atualidade.

Bem editado, ágil e dinâmico, o show, enquanto espetáculo foi razoável. Já, enquanto contador de história deixou a desejar e nem de perto representou a grandeza dos 50 anos da TV Globo.