O novo Vídeo Show é igual ao antigo, só que colorizado por computador

Logo do Vídeo Show (Divulgação)

O Vídeo Show voltou, “renovado”. Já é a terceira tentativa de fazer uma mudança significativa num dos programas mais antigos da televisão brasileira, mas essas mudanças se mostraram nessa segunda feira, 7 de abril de 2015 apenas estéticas.

O comentado novo visual do programa, não é tão atrativo. O cenário é apenas uma bancada com fundo colorbar que lembra muito o que já foi usado pelo programa quando ainda era comandado por Ana Furtado e André Marques.

A verdadeira novidade está na transmissão ao vivo do programa que acaba permitindo aos seus apresentadores utilizarem improvisos, e fazerem piadas que vão além dos textos do teleprompter. A arte do improviso é para poucos e acredito sim no talento de Monica Iozzi, para conduzir maior parte desses momentos.


Mesmo sendo algo menos engessado para os padrões da Globo, o programa não se sustenta pelos seus momentos ao vivo, pois os minutos de tela dados aos apresentadores são poucos, e até acredito que nesse caso os apresentadores são dispensáveis já que todo o conteúdo se concentra nas matérias gravadas.

Sobre as matérias, os quadros permanecem semelhantes ao que já vimos com alguns acréscimos como mostrar ao público as notícias mais acessadas no gshow (portal de entretenimento da Globo.com), e “fofocas” a la TV Fama, mostrando o que os famosos postaram nas redes sociais.

Em minha opinião, o problema do Vídeo Show é crônico. O acesso à informação fez com que as pessoas tivessem acesso na palma da mão àquilo o que antes elas precisariam esperar para assistir no programa, e quando o mesmo chega ao ar, chega com cara de antigo, onde é clara a intenção de apenas promover as atrações inéditas da casa (Entrevistas com os protagonistas de Babilônia provaram isso). Nem trazer Miguel Falabella (mesmo que por segundos) funciona mais, já que a imagem do ator não se casa mais com a imagem de apresentador da atração, função que ele exercia anos atrás.

Cissa Guimarães pelo contrário se manteve bem já que a espontaneidade que a fez conhecida esteve presente durante toda a descontraída entrevista que ela comandou. Foi um resgate bem vindo. Acredito que o programa não tenha força para se manter na grade de segunda a sexta. Talvez colocá-lo apenas no sábado surtiria um efeito melhor, pois para o público seria bem mais interessante, e menos desgastante.

A Globo tem um arquivo vasto e possibilidades inúmeras de fazer um programa metalinguístico de qualidade. Que tal mostrar etapas da produção que ninguém conhece? Mostrar os ensaios para gravações? As leituras de texto? O trabalho dos roteiristas? Se o programa quer ser mais expansivo, a emissora poderia dar carta branca aos produtores para que eles pudessem explorar o universo televisivo que ainda é desconhecido para muita gente, mas sem acabar com a magia em torno.