O Rebu mostra qualidade inigualável na televisão brasileira


O Rebu

Mistério, intriga, romance e muita qualidade técnica e artística, assim pode ser resumida a estreia da nova novela das 23h, O Rebu. Assinada por George Moura e Sergio Goldenberg, com direção de José Luiz Villamarim, o remake da trama originalmente exibida em 1974, tem tudo para revolucionar a dramaturgia nacional e mostrar um caminho para as telenovelas brasileiras, que cada dia atrai menos o público.

Qualquer semelhança com a fotografia, enquadramentos e dinâmicas de Amores Roubados, não é mera coincidência, o time que escreve e dirige O Rebu é o mesmo da minissérie, destaque na programação de início de ano, na Globo.


A fotografia de O Rebu, assinada por Walter Carvalho, por sinal, é nada menos que maravilhosa e totalmente pertinente com o enredo de suspense, digno dos filmes de cinema. Os cenários grandiosos, a maquiagem e figurino também se mostraram impecáveis. O tom escuro, quase preto e branco, inclusive a maior parte do elenco vestia esses dois tons de contraste, contribuiu ainda mais para o ar macabro que envolve o folhetim.

Os flashbacks foram importantíssimos para contextualizar a história. A movimentação das câmeras, a luz, a trilha sonora, tudo se encaixou muito bem. Sem contar que O Rebu inova também ao ser filmada com a tecnologia de altíssima definição 4k.

O que dizer das atuacões primorosas, mas não se esperava outra coisa de um time de atores de primeira grandeza como Patrícia Pillar (Angela), Tony Ramos (Carlos Braga), Cassia Kiss Magro (Gilda), Vera Holtz (Vic Garcez) e José de Abreu (Bernardo Rezende).

Diferente da primeira versão que teve 112 capítulos, a atual terá apenas 37 episódios, o que vai acelerar a trama e tirar o ranso carregado do já batido, “quem matou?”. Outra distinção da novela original de 40 anos atrás é que o morto foi revelado logo no primeiro capítulo e não no último. O assassinado foi o jovem e ambicioso Bruno, (Daniel de Oliveira).

Vale uma percepção negativa da estreia da novela, a Globo ainda não aprendeu a fazer chuva artificial, fica nítido que tinha um mangueirão jogando água no cenário e atores. Mas esse foi o único, ao meu ver, ponto negativo da produção.

No quesito audiência, O Rebu foi bem com média de 23 e pico de 33, mas teve público menor do que as antecessoras. Saramandaia marcou 27, Gabriela 30 e O Astro 28.

O Rebu tem tudo para chamar e prender a atenção do público. O final do primeiro capítulo já mostrou isso com o atentado contra Angela. Se ao longo dos capítulos seguirem com essa qualidade, não resta dúvida de que será um sucesso.